A Reserva do Exército dos Estados Unidos está avaliando se consegue colocar à disposição do Comando Sul, responsável pelas operações militares na América Latina e no Caribe, unidades de polícia militar, equipes médicas e outras forças de apoio nos próximos quatro meses, segundo mensagem interna do Exército revelada nesta sexta-feira (25) pela rede CBS News. O documento pede que os comandos subordinados informem até 25 de setembro a disponibilidade de seis tipos de formações que seriam “possivelmente necessárias em 90 a 120 dias”. A mensagem não cita Cuba, mas vários funcionários americanos ouvidos sob anonimato disseram à emissora que o pedido faz parte do planejamento militar em curso voltado para a ilha.

Entre as unidades listadas estão uma brigada médica, um destacamento cirúrgico e de ressuscitação avançado, capaz de fazer cirurgias de emergência e atendimento de trauma perto das tropas, uma brigada de polícia militar, usada em missões de segurança e detenção, um batalhão de engenharia, um batalhão de apoio logístico e um comando de sustentação expedicionária para coordenar a logística em um teatro de operações. De acordo com a CBS, não há indicação de que alguma unidade já tenha recebido ordem de mobilização. O Comando Sul disse que não comenta movimentações nem prazos de possíveis operações por segurança, mas afirmou que avalia continuamente “uma série de requisitos potenciais” em sua área de atuação.

O movimento se soma a uma escalada de meses. Segundo a CBS, forças americanas fizeram neste ano reconhecimento do leito marinho e das aproximações marítimas da ilha, e em julho planejadores militares estudaram até um assalto aéreo com milhares de soldados da 101ª Divisão Aerotransportada. Em maio, o Departamento de Justiça tornou pública a acusação contra Raúl Castro, hoje com 95 anos, por conspiração e pelas mortes de quatro pessoas na derrubada de dois aviões civis do grupo Irmãos ao Resgate em 1996, e há mandado de prisão contra ele. Nesta semana, na Assembleia Geral da ONU, Donald Trump previu que o governo comunista cubano “vai cair” e disse que “a liberdade está chegando a Cuba”, e a delegação cubana deixou o plenário.

O prazo de 90 a 120 dias aponta para uma janela entre o fim de dezembro e janeiro, o mesmo período em que os Estados Unidos capturaram Nicolás Maduro no início deste ano, paralelo lembrado pelo correspondente Paulo Henrique Araujo, de Nova York, ao repercutir a reportagem. Autoridades americanas ressaltam que nenhuma decisão de atacar foi tomada, enquanto o presidente cubano Miguel Díaz-Canel promete resistir a qualquer ofensiva e acusa Washington de “guerra econômica”. Para o Brasil e a América Latina, a mensagem é clara: a pressão de Trump sobre o regime de Havana deixou de ser apenas retórica e já envolve planejamento militar concreto.