EUA E PARAGUAI ARTICULAM FRENTE REGIONAL PARA ACELERAR TRANSIÇÃO DEMOCRÁTICA NA VENEZUELA
Secretário de Estado Marco Rubio telefonou ao presidente Santiago Peña e agradeceu o apoio paraguaio à reconstrução do país caribenho. Ligação ocorreu dias após o anúncio formal das negociações de transição e na mesma semana em que os dois países firmaram acordo de cooperação nuclear civil.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, telefonou na segunda-feira (3) ao presidente do Paraguai, Santiago Peña, e agradeceu pessoalmente o apoio de Assunção ao processo de reconstrução e transição democrática na Venezuela. Segundo comunicado oficial do porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, Rubio destacou que “a unidade e a coordenação regionais sustentadas serão determinantes para o avanço do caminho político que atravessa o país”. A conversa também tratou da ampliação da cooperação bilateral em segurança e economia e reafirmou a parceria estratégica entre Washington e Assunção.
LIGAÇÃO OCORREU DIAS APÓS INÍCIO FORMAL DAS NEGOCIAÇÕES DE TRANSIÇÃO
A ligação de Rubio a Peña aconteceu poucos dias depois de o próprio secretário de Estado anunciar o início formal das negociações de transição na Venezuela a partir de 1º de agosto. Os diálogos envolvem representantes da Assembleia Nacional eleita em 2015 — a última reconhecida como legítima pelos Estados Unidos — e o governo interino encabeçado por Delcy Rodríguez. Rubio tem afirmado publicamente que o processo deve ocorrer em “meses e semanas”, e não em anos, e que exige reconciliação nacional, liberdade de imprensa e uma comissão eleitoral confiável.
PARAGUAI FOI UM DOS PRIMEIROS A DEFENDER A OPERAÇÃO QUE RESULTOU NA CAPTURA DE MADURO
Em 3 de janeiro de 2026, forças dos Estados Unidos realizaram a operação militar que resultou na captura de Nicolás Maduro e de Cilia Flores em Caracas. Maduro está detido em Nova York, respondendo a acusações de narcoterrorismo. O governo de Santiago Peña foi um dos primeiros da América do Sul a defender publicamente a ação, pedindo “transição ordenada e democrática” e citando a “deriva insustentável” do país sob o comando de Maduro. Na reunião extraordinária do Conselho Permanente da OEA convocada em 6 de janeiro, o Paraguai defendeu a intervenção ao lado de Argentina, Equador e El Salvador.
ACORDO NUCLEAR CIVIL E SOFA CONSOLIDAM PARCERIA ESTRATÉGICA
Na terça-feira (4), Estados Unidos e Paraguai assinaram em Washington um Memorando de Entendimento de Cooperação Estratégica em Matéria Nuclear Civil, conhecido como Acordo 123. O documento, firmado por Rubio e pelo chanceler paraguaio Rubén Ramírez Lezcano, com a presença do vice-presidente Pedro Alliana, estabelece o marco para transferência de tecnologia nuclear civil sob salvaguardas da Agência Internacional de Energia Atómica. O Paraguai já é o único país da América do Sul com Acordo de Estatuto de Forças (SOFA) com os Estados Unidos, firmado no final de 2025. A combinação dos dois instrumentos coloca Assunção como ponto de ancoragem da estratégia americana no Cone Sul.
BRASIL E MÉXICO SE RECUSAM A SEGUIR A LINHA AMERICANA
Enquanto o Paraguai aprofunda o alinhamento com Washington, Brasil e México mantêm posição de distância em relação à estratégia americana para a Venezuela. O governo brasileiro, sob Luiz Inácio Lula da Silva, condenou a operação de janeiro como “afronta gravíssima à soberania” e “precedente extremamente perigoso”. A postura isolada de Brasília e Cidade do México reforça, na avaliação de autoridades americanas, o valor estratégico do Paraguai: país fronteiriço com o Brasil e a Argentina, governado por um partido historicamente alinhado a Washington e disposto a sustentar a coordenação regional em torno da transição venezuelana.
COORDENAÇÃO REGIONAL É VISTA COMO DETERMINANTE PARA O AVANÇO DO PROCESSO
O Departamento de Estado tem sublinhado que a unidade regional será decisiva para o sucesso da transição. O Paraguai, com sua posição geográfica, o SOFA, o novo acordo nuclear e o apoio político consistente desde janeiro, ocupa papel central nessa frente. A chamada de Rubio a Peña e a assinatura do Acordo 123 na mesma semana sinalizam que a relação bilateral ultrapassou o estágio das declarações conjuntas e avançou para um nível de coordenação prática em segurança, energia e política regional.

