O Comando Sul dos Estados Unidos (Southcom) anunciou a ativação da Joint Task Force Western Hemisphere (JTF-WHEM), uma força-tarefa militar permanente criada para combater cartéis de drogas e organizações criminosas transnacionais na América Latina e no Caribe. O anúncio foi feito pelo general Francis L. Donovan, comandante do Southcom, que afirmou que os Estados Unidos e seus parceiros levarão “a luta ao inimigo” e aplicarão “total pressão sistêmica” contra as redes que ameaçam a segurança do país e da região.

ESTRUTURA PERMANENTE E 18 PAÍSES PARCEIROS

A nova força-tarefa substitui estruturas anteriores, como a Joint Task Force Southern Spear, e passa a funcionar como o braço operacional do Southcom. Sua missão inclui compartilhamento de inteligência em tempo real, coordenação de operações conjuntas, integração de forças armadas e órgãos de segurança, combate ao narcotráfico, lavagem de dinheiro, tráfico de armas e outras ameaças transnacionais. O general Donovan designou o major-general Kevin Jarrard, do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, para comandar a unidade.

A força-tarefa opera em conjunto com a Americas Counter Cartel Coalition (Coalizão das Américas Contra os Cartéis), formada por 18 países parceiros. Entre os integrantes mencionados estão Argentina, El Salvador, Paraguai, Panamá, Costa Rica, Equador, República Dominicana, Honduras, Guiana, Trinidad e Tobago, Bolívia e outros. A base da coalizão foi formalizada em março de 2026, sob a administração Trump, no âmbito do “Escudo das Américas”.

BRASIL FICOU DE FORA

O Brasil não integra a força-tarefa nem a coalizão operacional permanente. Fontes oficiais e reportagens confirmam a ausência do país, assim como de México e Colômbia em partes centrais da estrutura. Não há registro público de veto americano; o que existe é a não adesão do governo brasileiro à iniciativa. O Brasil participa de exercícios militares regionais, como o Panamax, mas não faz parte desta estrutura específica de combate a cartéis.

CONTEXTO DA ESCALADA AMERICANA

A criação da força-tarefa representa uma escalada da política anunciada pelo presidente Donald Trump, que passou a tratar cartéis como ameaça direta à segurança nacional dos Estados Unidos e autorizou ações militares mais amplas, inclusive contra embarcações ligadas ao narcotráfico. A decisão ocorre em momento de endurecimento do discurso americano contra o crime organizado transnacional e de designação de facções brasileiras, como o PCC e o Comando Vermelho, como organizações terroristas por autoridades norte-americanas.

O QUE A AUSÊNCIA DO BRASIL SINALIZA

A não participação brasileira deixa o país fora da principal estrutura militar de coordenação continental contra cartéis no momento em que a pressão americana se intensifica. Enquanto governos aliados a Trump aderem à cooperação operacional e de inteligência, o Brasil permanece à margem da força-tarefa permanente. A decisão reforça a percepção de desalinhamento estratégico do governo Lula com a principal potência do hemisfério em tema de segurança pública e combate ao crime organizado transnacional.