Os Estados Unidos estão enviando centenas de soldados do Exército para treinar e realizar exercícios com forças locais na América Latina, segundo autoridades militares americanas ouvidas pelo jornal The New York Times. A movimentação faz parte da ampliação da campanha do Pentágono contra o narcotráfico e ocorre em um momento de maior presença operacional de Washington no hemisfério.

A operação é apresentada pelo governo americano como resposta ao avanço de cartéis e redes criminosas que atuam no tráfico internacional de drogas. Na prática, porém, a chegada de tropas, a realização de exercícios conjuntos e o reforço de estruturas de segurança aumentam a influência militar dos Estados Unidos sobre decisões estratégicas de países latino-americanos, que passam a depender de acordos específicos para autorizar a atuação estrangeira.

O avanço americano abre um debate sobre os limites dessa cooperação e sobre o risco de a guerra contra o narcotráfico ser usada para justificar uma presença permanente na região. Para o Brasil, a mudança exige atenção diplomática e de segurança: qualquer operação que se aproxime das fronteiras nacionais pode afetar o equilíbrio regional e pressionar o governo a escolher entre ampliar a cooperação com Washington ou preservar uma política externa mais autônoma.

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