ESQUERDA RADICAL DOS EUA SAI EM SOCORRO DE LULA: BERNIE SANDERS, AOC E MAIS 29 DEPUTADOS ACUSAM TRUMP DE INTERFERIR NO BRASIL
Em carta ao secretário de Estado Marco Rubio, 31 parlamentares americanos cobram que o governo Trump se comprometa a reconhecer o resultado da eleição brasileira de outubro.
Um grupo de 31 parlamentares dos Estados Unidos, liderado pela ala mais à esquerda do Congresso americano, enviou nesta quinta-feira (24) uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, acusando o governo Donald Trump de interferir nas eleições brasileiras, segundo a CNN Brasil. Assinam o documento o senador independente Bernie Sanders, a deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortez, a AOC, e outros 29 deputados democratas. “Em vez de ajudar a defender a democracia brasileira, os Estados Unidos estão atuando como um agente de interferência e desestabilização”, afirma a carta. Sanders se reuniu com o presidente Lula nesta semana, em Nova York, durante a Assembleia Geral da ONU.
A iniciativa partiu da deputada Delia Ramirez, com Pramila Jayapal e Chuy Garcia, segundo a Folha de S.Paulo. Os parlamentares citam como exemplos de interferência as tarifas e as sanções contra autoridades brasileiras, que, na visão deles, buscaram influenciar o julgamento de Jair Bolsonaro no STF, além da nomeação de Darren Beattie como assessor do Departamento de Estado para o Brasil, segundo a BBC News Brasil. De acordo com o g1, a carta também questiona a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas, adotada após o encontro de Flávio Bolsonaro com Trump. O grupo apresenta sete perguntas e exigências, entre elas o compromisso de reconhecer o resultado certificado das urnas, e pede resposta até 1º de outubro.
O correspondente Paulo Henrique Araújo, que acompanha a agenda em Nova York, afirmou que a carta ajuda a entender o objetivo da reunião de Lula com Sanders e que a tese de interferência externa ganhou força justamente quando Flávio Bolsonaro cresce nas pesquisas. Segundo ele, a documentação que embasou as tarifas e a classificação das facções está disponível nos Departamentos do Tesouro e de Estado. O primeiro turno da eleição presidencial está marcado para 4 de outubro, e cabe ao Departamento de Estado decidir se responde aos parlamentares, que não têm poder para obrigar o governo Trump a mudar sua política para o Brasil.
Para a direita brasileira, a movimentação expõe a aliança entre o PT e a ala radical do Partido Democrata, que passou a repetir o discurso do Planalto sobre interferência estrangeira a poucos dias da votação. A reação do governo Trump à carta deve indicar se o tema continuará no centro da reta final da campanha.

