O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a colocar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no centro do palanque. Em comício nesta quinta-feira (24/9) em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro, o petista afirmou que o americano "vai perder" se resolver "meter a mão" nas eleições brasileiras. "Eu disse para o Trump que nas eleições aqui, se ele meter a mão, vai perder aqui as eleições. A gente não vai aceitar a ingerência de ninguém. Esse país que a gente quer está na mão de vocês", declarou Lula, segundo o Metrópoles. A fala ocorreu durante caminhada ao lado de Eduardo Paes (PSD), candidato ao governo do Rio, e dos candidatos ao Senado Benedita da Silva (PT) e Pedro Paulo (PSD).

O recado não é novo. Segundo o g1, Lula já havia dito no início de setembro que avisou Trump, em conversa entre os dois, que o Brasil não aceita "ingerência de ninguém nas eleições" e que, "se entrar, vai perder". Em 11 de setembro, o presidente afirmou que levaria o mesmo recado à Assembleia-Geral da ONU. Na abertura da 81ª sessão, na terça-feira (22/9), sem citar os Estados Unidos, Lula disse que o país não permitirá que "os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular" e que "o Brasil não cabe no quintal de ninguém", de acordo com o Metrópoles.

A estratégia de transformar a Casa Branca em adversário eleitoral já tinha aparecido na convenção do PT que oficializou a candidatura à reeleição. Segundo o InfoMoney, a campanha foi desenhada nos bastidores como uma versão 3.0 do "nós contra eles", com Trump apresentado como um oponente que quer interferir no pleito, embora o jingle do petista exiba imagens de Lula sendo recebido pelo próprio americano. Na mesma semana, a ala mais à esquerda do Partido Democrata, liderada por Bernie Sanders e Alexandria Ocasio-Cortez, enviou carta ao secretário de Estado Marco Rubio acusando o governo Trump de interferir no Brasil.

Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, a tendência é que o tema da soberania siga no discurso de Lula até a reta final. Para a oposição, o presidente troca o debate sobre economia, segurança e os escândalos que atingem o governo por um inimigo externo que não está na cédula, enquanto o candidato que de fato enfrenta nas urnas é Flávio Bolsonaro.