COLÔMBIA DE DE LA ESPRIELLA ROMPE COM O IRÃ E DECLARA GUARDA REVOLUCIONÁRIA TERRORISTA ENQUANTO BRASIL DE LULA ABANDONA PLENÁRIO DA ONU NA FALA DE NETANYAHU
Bogotá cortou relações com Teerã e classificou o braço armado do regime iraniano como grupo terrorista, na mesma semana em que a delegação brasileira deixou a Assembleia-Geral antes do discurso do premiê israelense
O governo da Colômbia, comandado pelo presidente Abelardo de la Espriella, rompeu formalmente as relações diplomáticas com o Irã e declarou a Guarda Revolucionária Islâmica uma organização terrorista. Segundo comunicado da chancelaria colombiana divulgado nesta quinta-feira (24/9), o rompimento vale desde 19 de setembro, com manutenção apenas das relações consulares. Bogotá afirmou que o regime iraniano tem vínculos com grupos terroristas e narcoterroristas que ameaçam a segurança do país e citou violações de direitos humanos, o bloqueio do Estreito de Ormuz, os ataques a países da região e a obstrução ao trabalho da Agência Internacional de Energia Atômica. Sobre a Guarda Revolucionária, a chancelaria declarou que o grupo "reprime a população iraniana e realiza ataques em operações encobertas, além das fronteiras do Irã", segundo a AFP.
A decisão marca a virada da política externa colombiana sob De la Espriella, que aprofundou a aliança com os Estados Unidos e restabeleceu as relações com Israel, rompidas pelo antecessor Gustavo Petro em maio de 2024, segundo a agência EFE. O caminho do governo Lula vai na direção oposta. Em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, o Itamaraty divulgou nota em que o governo brasileiro "condena e expressa grave preocupação" com os bombardeios e defendeu a negociação como "único caminho viável para a paz". Lula também foi declarado persona non grata pelo governo de Israel, como lembrou a Folha de S.Paulo.
O contraste ficou explícito na Assembleia-Geral da ONU em Nova York. Nesta quinta-feira (24/9), durante a 81ª sessão, a delegação brasileira deixou o plenário antes do discurso do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, ao lado de representantes de outros países. Segundo a Folha, o grupo era formado por funcionários da missão do Brasil na ONU, enquanto o chanceler Mauro Vieira participava de um evento em apoio à UNRWA, a agência da ONU para refugiados palestinos, organizado por Brasil, Jordânia e Espanha. De acordo com o Estadão, foi o terceiro ano seguido do gesto, repetido em 27 de setembro de 2024 e em 26 de setembro de 2025, e a primeira retirada ocorreu por determinação de Mauro Vieira. Fontes do Itamaraty disseram ao jornal que a saída foi um gesto de solidariedade aos 394 funcionários da UNRWA mortos desde outubro de 2023. Ao iniciar a fala, Netanyahu reagiu: "Se houver algum outro covarde moral que ainda não tenha saído desta sala, por favor, saia agora".
Enquanto a Colômbia passa a tratar o aparato armado de Teerã como ameaça terrorista e se alinha a Washington e a Tel Aviv, o Brasil de Lula mantém relações com o regime iraniano e reserva o protesto diplomático para Israel. O rompimento colombiano deve aumentar a pressão regional sobre governos que ainda evitam classificar a Guarda Revolucionária como grupo terrorista, lista que já inclui a União Europeia, segundo a Europa Press. A dez dias da eleição de 4 de outubro, a política externa do Planalto no Oriente Médio tende a seguir como alvo da oposição.

