Esquerda celebra 'Exército do Lula' de Janones e exporta modelo digital após reeleição
O engajamento digital coordenado da esquerda, liderado pelo deputado André Janones (Rede-MG) com o canal de WhatsApp "Exército do Lula", que chegou a mais de 10 milhões de membros, é apresentado pela Folha de S.Paulo como modelo permanente após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL).
Janones, que antes criticava a "campanha fofa" da esquerda e defendia guerra digital "sem medo, sem pudor e sem remorso", agora é tratado como general da mobilização. A Folha e outros veículos relatam convites para que ele auxilie campanhas de esquerda no exterior, como a de Pedro Sánchez na Espanha e contatos com Claudia Sheinbaum no México, além da criação de canais semelhantes na França e Argentina.
O modelo baseia-se em "missões" diárias, comandos como "urgente" e "explode", e coordenação massiva de postagens. O próprio Lula agradeceu a Janones no discurso de vitória e passou a usar smartphone na reta final, após anos de resistência. A esquerda discute manter a estrutura ativa no novo mandato e avançar em regulação das redes — enquanto usa as plataformas de forma agressiva e coordenada.
A reportagem da Folha, compartilhada no Instagram, mostra manifestantes com cartazes sobre eleições e "internet não é terra sem lei". Na prática, a estratégia enfrentou intervenções do TSE, que chegou a suspender o canal temporariamente. A direita reagiu com iniciativas como a "Tropa do Flávio", mas a mobilização petista ganhou volume e velocidade na reta final.
O caso ilustra como a esquerda, historicamente menos dominante nas redes, adotou táticas de mobilização vertical e coordenada para recuperar terreno. A exportação do "método Janones" para outros países revela o interesse internacional em replicar a fórmula, em um momento em que o controle de narrativas digitais permanece decisivo.

