As novas manifestações de Eduardo Bolsonaro em defesa de sanções americanas contra Alexandre de Moraes reacenderam uma dúvida dentro do campo bolsonarista: a estratégia ajuda ou atrapalha a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro? Ao levar o caso para Washington, Eduardo amplia a repercussão internacional das decisões do ministro e mantém no centro do debate as acusações de abuso de poder, falta de transparência e perseguição política feitas por seus aliados.

Do ponto de vista eleitoral, a iniciativa fortalece a mobilização da base conservadora e apresenta Eduardo como alguém disposto a enfrentar o Supremo fora do Brasil. Também pode pressionar o governo americano a adotar novas medidas contra autoridades brasileiras. Por outro lado, o STF e os adversários podem usar a articulação para sustentar que Eduardo tenta submeter decisões brasileiras a um governo estrangeiro. A Primeira Turma do Supremo já formou maioria para manter a condenação de Eduardo por coação, justamente em razão de sua atuação nos Estados Unidos, segundo reportagem da Folha de S.Paulo.

Para Flávio, o efeito dependerá da forma como a campanha separar a defesa das liberdades e da anistia de uma eventual retaliação econômica contra o Brasil. Se a pressão de Eduardo produzir sanções pessoais e abrir espaço para investigações internacionais, poderá fortalecer o discurso de que o sistema precisa ser contido. Se for apresentada como interferência estrangeira ou provocar novas punições ao país, poderá permitir que Lula e Moraes transfiram o debate para a soberania nacional e tentem responsabilizar politicamente o candidato. A estratégia, portanto, tem potencial de mobilização, mas também envolve um risco eleitoral direto para o irmão.