DRONES RUSSOS CHEGAM À SOLEIRA DA OTAN E POLÔNIA ELEVA ALERTA MILITAR
Ataques contra trem, postos de fronteira e alvos próximos ao território polonês aumentam o temor de uma escalada calculada de Moscou
A guerra na Ucrânia entrou em uma nova fase de tensão na fronteira da Otan. Em 13 de setembro, um drone russo atingiu a linha ferroviária usada pelo trem de passageiros Kiev–Varsóvia, a cerca de dois quilômetros da fronteira com a Polônia. O comboio transportava mais de 200 pessoas e não houve mortes. Um posto de gasolina próximo à travessia Yahodyn–Dorohusk também foi atingido, provocando incêndios em caminhões e o fechamento temporário da passagem.
O ataque ocorreu pouco depois da passagem de um comboio com autoridades europeias pela mesma linha, entre elas o ex-primeiro-ministro britânico Boris Johnson. A operadora ferroviária ucraniana levantou a possibilidade de que o trem diplomático pudesse ter sido o alvo, enquanto Moscou afirmou que os ataques atingiram infraestrutura usada para transportar equipamentos militares. A Polônia classificou o episódio como uma escalada. A informação sobre o trem e a proximidade da fronteira foi noticiada pela Folha de S.Paulo.
Nos dias seguintes, a Polônia retirou do litoral do Báltico um drone identificado como possível modelo Gerbera, usado como isca ou plataforma de baixo custo. Em 15 de setembro, caças da Otan derrubaram um drone sobre a Lituânia, apontado pelo governo local como russo. Em 17 de setembro, outro ataque atingiu a região oeste da Ucrânia, a aproximadamente quatro quilômetros da Polônia. Varsóvia colocou caças no ar, fechou temporariamente os aeroportos de Lublin e Rzeszów e acionou alertas em Lublin e Subcarpácia. Escolas e prédios públicos foram evacuados por precaução. Até o último balanço divulgado, não havia confirmação de nova violação do espaço aéreo polonês nessa sequência.
O primeiro-ministro Donald Tusk afirmou no Parlamento que as inteligências da Polônia, da Otan, da Ucrânia e, segundo ele, também dos Estados Unidos avaliam que Moscou pode intensificar ataques contra a logística ucraniana e lançar drones ou mísseis contra países que apoiam Kiev. A hipótese é que eventuais incursões sejam apresentadas como “erros” para testar a reação da aliança e demonstrar que o Artigo 5 — que prevê defesa coletiva — seria mais teórico do que prático. Tusk também alertou para o uso de drones a jato, mais rápidos e difíceis de interceptar.
A estratégia atribuída a Moscou seria pressionar ferrovias, postos, depósitos e corredores de ajuda próximos à fronteira sem cruzar claramente o limite que obrigaria a Otan a tratar o episódio como um ataque armado contra um de seus membros. A Polônia já viveu uma incursão de drones em seu território em setembro de 2025, quando solicitou consultas previstas no Artigo 4 do tratado. Desde então, a fronteira oriental passou a ser tratada como uma área de teste para ações de sabotagem, ataques híbridos e operações de intimidação.
Apesar do alerta elevado, não há tropas russas na Polônia, declaração de guerra ou acionamento do Artigo 5. O que existe é uma sequência de ataques junto à fronteira, mobilização de caças e preparação para impedir que um novo “acidente” provoque uma crise maior. A avaliação de Varsóvia é que a Rússia está apertando o cerco contra a logística da Ucrânia e medindo até onde pode avançar sem provocar uma resposta militar coletiva da Otan.

