TRUMP PREPARA ENVIO DE DRONES MQ-9 À AMÉRICA DO SUL APÓS CLASSIFICAR PCC E COMANDO VERMELHO COMO TERRORISTAS
Reportagem da CNN com seis fontes descreve a transferência de MQ-9 Reaper da África ao SOUTHCOM para operações antidrogas e antiterrorismo, no mesmo ciclo em que o Departamento de Estado designou PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.
O governo de Donald Trump prepara o envio de drones militares MQ-9 Reaper, hoje ligados a operações na África, para a área do Comando Sul das Forças Armadas dos Estados Unidos (SOUTHCOM), responsável pela América Latina e pelo Caribe, segundo reportagem exclusiva da CNN com seis fontes familiarizadas com o planejamento, publicada nesta sexta-feira (18/9). A Casa Branca e o Pentágono ainda não confirmaram oficialmente a quantidade, as bases nem a data da transferência. As fontes descrevem a movimentação como preparação para ampliar operações antidrogas e antiterrorismo com parceiros na América do Sul e citam o Equador entre os destinos avaliados.
O MQ-9 Reaper serve a inteligência, vigilância e reconhecimento e também pode carregar mísseis Hellfire e bombas guiadas. Em paralelo à escalada militar na região, o Departamento de Estado dos EUA designou, em 28 de maio de 2026, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como Specially Designated Global Terrorists e anunciou a classificação como Foreign Terrorist Organizations, com efeito a partir de 5 de junho de 2026, após publicação no Federal Register. Em nota, o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que CV e PCC são “duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil” e que suas redes ilícitas se estendem “além das fronteiras brasileiras, por nossa região e para dentro do nosso país”.

Na leitura da oposição a Luiz Inácio Lula da Silva, a combinação entre a designação terrorista das facções e o reforço militar americano na América do Sul expõe o desgaste do Planalto na segurança pública às vésperas do ciclo eleitoral: o sinal emitido é de que o crime organizado ganhou escala transnacional sob o governo petista e que recursos estrangeiros passam a ser mobilizados para conter ameaças que Brasília não conseguiu domar sozinha. A preparação dos Reapers não equivale, por si só, a uma ordem pública de ataque no território brasileiro, mas torna indispensável que o Itamaraty e o Ministério da Justiça esclareçam ao Congresso e à opinião pública qual coordenação existe com Washington, quais bases e regras de engajamento estão em discussão e como o Brasil responderá à pressão externa sobre as facções.

