A Dívida Pública Federal (DPF) do Brasil atingiu R$ 9,268 trilhões em junho de 2026, alta de 2,61% em relação a maio, quando estava em R$ 9,033 trilhões. Os dados foram divulgados pelo Tesouro Nacional no Relatório Mensal da Dívida. O crescimento foi impulsionado principalmente pela emissão líquida de títulos públicos e pela apropriação de juros.

EMISSÃO DE TÍTULOS E CUSTO DA DÍVIDA

No mês de junho, o Tesouro emitiu volume superior aos resgates, com emissão líquida em torno de R$ 143 bilhões. A apropriação de juros também contribuiu para o avanço do estoque. O custo médio da dívida pública federal em 12 meses subiu para 12,68% ao ano. O prazo médio do estoque recuou para 4,01 anos.

A reserva de liquidez (colchão) aumentou para R$ 1,346 trilhão, equivalente a 8,33 meses de vencimentos.

PROJEÇÃO PARA O FIM DO ANO

De acordo com o Plano Anual de Financiamento (PAF) do Tesouro, a dívida pública federal deve encerrar 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões. O resultado de junho já coloca o endividamento em trajetória de expansão contínua.

DÉFICIT PRIMÁRIO NO PRIMEIRO SEMESTRE

As contas do governo central registraram déficit primário de R$ 92,2 bilhões no acumulado de janeiro a junho de 2026. O resultado é o segundo pior para o período desde o início da série histórica, em 1997, ficando atrás apenas de 2020, ano da pandemia. Em junho isoladamente, o rombo foi de R$ 48,2 bilhões.

O déficit ocorre porque as despesas superam as receitas. Mesmo com arrecadação recorde no semestre, o governo continua gastando mais do que coleta, o que obriga o Tesouro a emitir títulos para financiar o desequilíbrio.

PRESSÃO SOBRE O ORÇAMENTO

Especialistas e analistas de contas públicas apontam que a parcela discricionária do orçamento — a parte em que o governo tem liberdade de alocação — está cada vez mais comprimida. Despesas obrigatórias, como Previdência, salários do funcionalismo e precatórios, absorvem a maior parte dos recursos. A alta da Selic eleva o custo de rolagem da dívida e reforça a necessidade de contenção de gastos.

O avanço acelerado do endividamento ocorre em meio a um cenário de juros elevados e de pressão fiscal que se arrasta desde o início da atual gestão.