BANCOS LUCRAM R$ 255 BILHÕES EM 2025 E LULA SE ORGULHA: “NUNCA GANHARAM TANTO”
Sistema financeiro registra lucro líquido recorde. Três grandes privados somam R$ 87,1 bilhões. Itaú sozinho atinge R$ 46,8 bilhões. Dividendos no governo Lula 3 já superam todo o ciclo Bolsonaro. Selic elevada sustenta as margens.
Durante o terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, os bancos brasileiros registraram lucros históricos. Segundo dados do Banco Central, o sistema bancário total apurou lucro líquido de R$ 255 bilhões em 2025 — o maior valor da série histórica. Os três grandes bancos privados (Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil) somaram R$ 87,1 bilhões no mesmo ano, avanço de cerca de 51% em relação a 2023 e novo recorde nominal. O Itaú, isoladamente, reportou R$ 46,8 bilhões, renovando o próprio recorde. Em fevereiro de 2026, Lula declarou publicamente: “O sistema financeiro nunca ganhou tanto dinheiro como ganha no nosso governo.”
OS NÚMEROS DOS MAIORES BANCOS
Os quatro maiores bancos listados (Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil) lucraram juntos R$ 107,8 bilhões em 2025, queda de 4,4% em relação a 2024. A retração foi puxada pelo Banco do Brasil, cujo lucro caiu cerca de 45% por causa da inadimplência no agronegócio. Os três privados, por outro lado, expandiram os resultados com estratégia focada em linhas de crédito com garantia e maior rentabilidade. O Itaú liderou com folga, lucrando mais do que Bradesco e Santander juntos.
DIVIDENDOS E REMUNERAÇÃO AOS ACIONISTAS
Entre janeiro de 2023 e março de 2026, BB, Bradesco, BTG, Itaú e Santander distribuíram R$ 195,7 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio — volume 24% superior aos R$ 157,5 bilhões pagos em todo o governo Bolsonaro (2019-2022). O ano de 2025 sozinho concentrou um dos maiores volumes anuais da série.
O PAPEL DA SELIC ALTA
O ciclo de lucros elevados coincidiu com a manutenção da taxa básica de juros em patamares elevados. A Selic chegou a 15% em 2025 — o maior nível em quase duas décadas — e ainda se encontrava em 14,25% em julho de 2026, mesmo após o início do ciclo de cortes. Juros altos ampliam a margem financeira dos bancos (diferença entre o custo de captação e a taxa cobrada nos empréstimos). Spreads permaneceram elevados e as instituições privadas priorizaram operações mais rentáveis e com garantia.
A CONTRADIÇÃO POLÍTICA
Lula celebra os resultados como prova de “economia forte”. Colunistas de mercado observam que, depois do próprio presidente, poucos segmentos se mostram tão satisfeitos com a política econômica atual quanto o sistema financeiro. Ao mesmo tempo, críticos apontam a contradição: um governo que historicamente critica a “elite financeira” preside o período de maiores lucros nominais dos bancos privados e se orgulha publicamente do fato.
Não há evidência pública de pacto formal ou de apoio político institucional dos bancos ao governo. O que os números revelam é uma convergência objetiva de interesses: a política de juros altos — conduzida pelo Banco Central independente e não confrontada de forma estrutural pelo Executivo — gerou rentabilidade excepcional para o setor. Em ano eleitoral, o tema tende a ser usado pelos dois lados: o governo como sinal de solidez econômica; a oposição como prova de que o discurso social convive com a concentração de ganhos no sistema financeiro.

