A disputa pela presidência do Senado em fevereiro de 2027 expõe as tensões internas da direita. O PL lançou oficialmente a candidatura de Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição, que afirma ter cerca de 40 votos. Paralelamente, Tereza Cristina (PP-MS) mantém sua candidatura e afirma que quer ser a primeira mulher a presidir a Casa em 203 anos. Ambos dizem estar do mesmo campo e negociam um acordo para não se enfrentarem diretamente, deixando a definição de quem seguirá na disputa para mais perto da eleição, marcada para 1º de fevereiro.

No mesmo período, a defesa de Jair Bolsonaro protocolou pedido ao ministro Alexandre de Moraes para que o ex-presidente receba Marinho e Tereza Cristina em sua residência, onde cumpre prisão domiciliar. O pedido não especifica a pauta dos encontros. A autorização depende exclusivamente de Moraes, que já havia recebido solicitação anterior apenas para Marinho, sem resposta.

Nas redes, a crítica à postura da direita ganhou volume. Adrilles Jorge classificou como “vergonha” o aceno de parte da maioria eleita contra o impeachment de Moraes, sob a tese de que o ministro seria o “inimigo político ideal”. O comentário aponta que Bolsonaro e milhares de pessoas seguem presos, exilados ou censurados enquanto o Congresso eleito pela direita hesita. Outro vídeo circula com o alerta de que Davi Alcolumbre busca reeleição com votos de dentro do PL, alegando 48 apoios contra 39 da oposição de Marinho, e questiona “quem vai trair”.

Tereza Cristina respondeu em vídeo próprio que “não existe divisão” e que ela e Marinho decidirão com estratégia quem tem mais condições de chegar lá. A eleição é por voto secreto e exige pelo menos 41 dos 81 senadores. A fragmentação favorece Alcolumbre, que articula reeleição com apoio do governo Lula e do Centrão. O episódio reabre o debate sobre a capacidade de união da direita no Congresso e sobre a prioridade real do impeachment de ministros do STF.