Nesta segunda, o eurodeputado polonês Dominik Tarczyński publicou a foto de duas brasileiras em frente à embaixada do Brasil na Polônia, no dia da eleição, fazendo o L com as mãos, uma de boné vermelho e a outra com um broche de estrela do PT, e escreveu no X, em tom de urgente, que quem tivesse informação sobre essas senhoras falasse com ele por mensagem direta.

No Facebook, no mesmo dia, ele foi além do pedido de nome e escreveu que ajudaria pessoalmente a fazer a mala antes da deportação, que promover comunismo é constitucionalmente proibido na Polônia, que o Brasil deveria se livrar dos comunistas como a Polônia se livrou, e que o voto é em Flávio, recado que completa o apoio que ele já tinha dado no sábado, quando pediu voto no candidato do PL, e a regra que ele invoca está no artigo 13 da Constituição polonesa, que proíbe partidos e organizações que se refiram aos métodos totalitários do nazismo, do fascismo e do comunismo.

Tarczyński tem 47 anos, nasceu em 1979 na Polônia comunista, foi deputado no Sejm de 2015 a 2020 e está no Parlamento Europeu desde 2020, e o que o Metrópoles chamou de caçada é um post público sobre uma foto que as próprias mulheres produziram na porta de uma embaixada, com símbolo e gesto de partido, enquanto no Brasil a direita foi perseguida simplesmente por se declarar de direita, por camisa, por frase e por manifestação, com inquérito sigiloso, rede bloqueada, passaporte retido e prisão, muitas vezes com o aplauso de quem também se dizia de direita e depois bateu palma para o mesmo método, de modo que o gesto do polonês é a lei de talião em voz alta, olho por olho e dente por dente, só que feito à luz do dia e com um artigo de Constituição na mão, e não num inquérito sem rosto.