DATAFOLHA MOSTRA FLÁVIO BOLSONARO REDUZINDO DISTÂNCIA ENTRE MULHERES E APROXIMANDO DISPUTA COM LULA
Em cenário de segundo turno, senador sobe a 40% das intenções de voto do eleitorado feminino, enquanto Lula fica com 50%. Entre os homens o quadro é de empate técnico. Campanha reforça plano específico e discurso de segurança, família e custo de vida.
A mais recente pesquisa Datafolha, registrada no TSE sob o protocolo BR-01166/2026 e divulgada nos últimos dias de julho, aponta que Flávio Bolsonaro (PL) registra 40% das intenções de voto entre as mulheres em um eventual segundo turno contra Lula (PT), que aparece com 50%. Entre os homens, o cenário se inverte e fica praticamente empatado: o senador tem 46% e o atual presidente, 45%. No total da amostra, Lula soma 48% e Flávio 43%, com 9% de brancos, nulos ou nenhum dos dois. A margem de erro geral é de dois pontos percentuais; nos recortes de gênero, sobe para três.
O resultado mostra redução da distância em relação a levantamentos de junho, quando a vantagem de Lula entre as eleitoras chegava a 15 pontos em algumas medições do próprio Datafolha. O movimento ocorre depois de a campanha do senador intensificar ações direcionadas ao público feminino, segmento que representa a maioria do eleitorado brasileiro e que historicamente pesou contra o bolsonarismo.
CAMPANHA LANÇA PLANO “BRASIL POR ELAS” E APOSTA EM VICE MULHER
No meio de julho, Flávio apresentou o plano “Brasil por Elas”, conjunto de 12 propostas voltadas a segurança, autonomia financeira, saúde e serviços digitais. Entre as medidas estão a oferta de internet gratuita para cerca de 70 milhões de mulheres, a criação da assistente de inteligência artificial “MarIA”, a plataforma “Central da Mulher” (física e digital) e vouchers de apoio para vítimas de violência e acesso a creches. O senador afirmou publicamente que “não virou feministo” e que a defesa das mulheres é pauta da direita.
A estratégia inclui protagonismo da esposa, Fernanda Bolsonaro, preferência por uma vice mulher (com menções recorrentes a Daniella Marques, ex-presidente da Caixa no governo Bolsonaro) e eventos com lideranças femininas conservadoras. A oficialização da candidatura pelo PL, em 25 de julho, também destacou o apoio de parlamentares e figuras femininas da legenda.
NÚMEROS REVELAM DISPUTA MAIS APERTADA DO QUE A NARRATIVA DE “REJEIÇÃO CONSOLIDADA”
Enquanto parte da imprensa insiste no enquadramento de “dificuldade persistente” e “principal desafio herdado de 2022”, os dados mostram que a rejeição a Flávio entre as mulheres (50% dizem que não votariam nele de jeito nenhum no primeiro turno) convive com um recuo da vantagem de Lula e com equilíbrio quase total no eleitorado masculino. No campo bolsonarista, pesquisas anteriores já apontavam preferência massiva por Flávio em relação a outros nomes, inclusive entre as mulheres que votaram em Jair Bolsonaro.
O senador tem concentrado o discurso em temas concretos — segurança pública, custo de vida, proteção da família e economia — que afetam diretamente o dia a dia de milhões de brasileiras, em contraste com a narrativa de vitimização e polarização ideológica explorada pelo campo petista.
CENÁRIO GERAL E PRÓXIMOS PASSOS
A pesquisa Datafolha foi realizada entre 22 e 23 de julho, poucos dias antes da convenção do PL que formalizou a candidatura de Flávio. O resultado reforça que a disputa presidencial de 2026 permanece competitiva e que o eleitorado feminino continua sendo campo de disputa aberta, e não território fechado. A campanha do PL segue apostando na ampliação do diálogo para além da base tradicional da direita, com foco em propostas práticas e na redução da rejeição estrutural.

