Moradores de Banabuiú, município do Sertão Central do Ceará, enfrentaram filas para adquirir água mineral após comerciantes locais suspenderem a comercialização de garrafões diante de ameaças e extorsões atribuídas a integrantes da facção Comando Vermelho.

As intimidações começaram a circular em 19 de outubro por meio de mensagens identificadas como “Edital Banabuiú”, assinadas pela chamada “Diretoria de Banabuiú”. Nelas, os criminosos condicionavam a venda e a distribuição de água à “autorização” da facção e ameaçavam quem desobedecesse. Cobranças semanais variavam de R$ 200 a R$ 750.

Comerciantes que se recusaram a pagar tiveram estabelecimentos fechados ou suspenderam as vendas por receio de represálias. A falta de abastecimento chegou a suspender aulas em uma escola municipal. Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS), a ação foi ordenada pela facção carioca.

Para garantir o acesso à água, a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), com apoio das forças de segurança, passou a recolher os garrafões nos fornecedores e transportá-los até Banabuiú, onde são comercializados sob escolta policial. O primeiro carregamento, com cerca de mil unidades, chegou no sábado (31). A prefeitura informou que a distribuição diária de mil garrafões deve continuar a partir de terça-feira até a normalização.

Três suspeitos foram presos em 22 de outubro em ação conjunta da Polícia Civil e Militar: Cícero Kevin Gomes Farias, Francisco das Chagas de Lima da Silva (Chico Motos) e Carlos Fernando da Silva Andrade. Foram apreendidos seis celulares, um revólver calibre .38, munições, um notebook e dinheiro. A SSPDS identificou o mandante das ameaças, que estaria no Rio de Janeiro, e articula com a Polícia Civil fluminense.

O caso ilustra o avanço do controle territorial de facções sobre atividades cotidianas no interior do Nordeste, exigindo resposta policial e logística do Estado para restabelecer o abastecimento básico.