CIA E MOSSAD ESTÃO NA COLA DE LULA? PRESSÃO INTERNACIONAL CHEGA À RETA FINAL
Relatório reservado da Abin fala em nível crítico de influência dos EUA, enquanto alertas chegam à ONU e Washington prepara novas sanções
A reta final da corrida eleitoral começou sob uma pressão internacional sem precedentes sobre o governo Lula. Um relatório reservado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), enviado ao Palácio do Planalto, ao Ministério da Justiça e ao Tribunal Superior Eleitoral, classificou como “crítico” o risco de influência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. O documento aponta uma escalada de medidas diplomáticas, econômicas e de segurança adotadas pelo governo Donald Trump para reduzir a influência de rivais na América Latina e fortalecer governos conservadores alinhados a Washington.
O relatório também cita o papel do secretário de Estado Marco Rubio e relaciona a nova política americana à classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas, além da possibilidade de novas sanções contra pessoas, empresas e instituições brasileiras. A avaliação americana de que o Brasil não combate as facções com a mesma intensidade de outros países aumentou a preocupação em Brasília. O governo brasileiro contesta essa leitura e afirma que já adotou medidas legais, operações policiais e mecanismos de cooperação contra o crime organizado.
O alerta ganhou dimensão internacional depois que o Instituto Vladimir Herzog encaminhou à ONU um documento sobre possíveis ingerências dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro. A carta foi enviada ao secretário-geral António Guterres e ao Alto Comissário de Direitos Humanos, Volker Türk, no momento em que Lula viajou a Nova York para a Assembleia Geral. O temor apresentado é que setores ligados ao governo Trump se recusem a reconhecer o resultado das urnas caso Lula vença, ou tentem influenciar a disputa em favor de seu principal adversário, Flávio Bolsonaro.
É nesse ambiente que surgem as perguntas sobre a atuação da CIA e do Mossad. Agências de inteligência estrangeiras acompanham eleições, governos e movimentos estratégicos em todo o mundo, mas não há, até o momento, prova pública de que CIA ou Mossad estejam executando uma operação clandestina contra Lula. O que existe de concreto é o relatório da Abin sobre a pressão americana, o alerta levado à ONU, a intensificação das sanções e o debate sobre segurança, facções e soberania. A hipótese de participação direta dessas agências permanece no campo da possibilidade e não pode ser apresentada como fato comprovado.
Mesmo sem uma operação secreta confirmada, o quadro é politicamente explosivo. Lula pretende usar a tribuna da ONU para defender a soberania nacional e denunciar interferências externas, enquanto Washington amplia a pressão sobre o Brasil e seus aliados observam cada movimento da campanha. A eleição deixou de ser apenas uma disputa doméstica: tornou-se também um teste sobre até onde potências estrangeiras podem pressionar um governo, influenciar o debate público e tentar redesenhar o equilíbrio político da América Latina.

