CAMPANHA DE LULA PEDE INELEGIBILIDADE DE FLÁVIO NO TSE
Ação cita a Festa do Peão de Barretos como showmício. É petição, não sentença. Ministério Público já viu o registro de Flávio sem causa de inelegibilidade
A coligação de Lula protocolou no sábado (29) uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral contra Flávio Bolsonaro e o vice Alfredo Gaspar. Pede cassação da chapa e inelegibilidade por oito anos. O relator é o corregedor Antonio Carlos Ferreira. O argumento: no dia 22, na Festa do Peão de Barretos, Flávio teria usado palco, som, luz e público pagos por empresa e órgão estatal — o que a petição chama de “showmício disfarçado” e abuso de poder econômico. Tarcísio de Freitas e Nikolas Ferreira estavam no ato.
Há um segundo processo da mesma campanha: pedir ao TSE a queda de vídeos com inteligência artificial que associam Lula à palavra “bandido”. Nada disso é decisão. É pedido. O Ministério Público Eleitoral já se manifestou no registro de candidatura de Flávio e não apontou causa de inelegibilidade. O julgamento do registro de Lula e de Flávio começa segunda (31). Do outro lado, a defesa de Flávio já acionou o TSE contra o uso do Palácio da Alvorada em entrevista de campanha.
Na avaliação editorial, o Planalto descobriu o verbete “abuso” quando o palco não é vermelho. Festa de peão vira crime eleitoral. Palácio da República vira estúdio. Quem tem a caneta no tribunal escolhe o que é showmício e o que é agenda. O eleitor precisa separar duas coisas: a ação existe, o gabinete quer tirar o adversário da urna. Inelegibilidade ainda não existe. Quem grita “cassação” no sábado ainda tem de provar o abuso na segunda.

