CAMPANHA DE LULA QUER COLAR O FECHAMENTO DA EMBAIXADA EM FLÁVIO E EDUARDO
O É o Mundo diz que o pedido de sexta pede para anexar a suspensão consular à ação que já pede oito anos de inelegibilidade dos irmãos. Os Estados Unidos justificaram o fechamento com segurança
Às vésperas do primeiro turno, a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva voltou ao Tribunal Superior Eleitoral e colocou Flávio e Eduardo Bolsonaro no centro do pedido sobre a suspensão dos serviços consulares dos Estados Unidos. Segundo o É o Mundo, o petista quer que o fechamento, anunciado na sexta (2) por motivos de segurança, seja anexado à ação que a campanha já move contra os irmãos. No documento, ainda segundo o veículo, a própria campanha afirma que a suposta articulação teria sido conduzida por Flávio e Eduardo. Essa tese depende de análise da Justiça Eleitoral. A justificativa que os Estados Unidos divulgaram para suspender o atendimento foi segurança, e não uma ação eleitoral.
A ação de fundo é de 23 de setembro. A coligação de Lula pediu ao TSE a cassação do registro e a inelegibilidade de Flávio e de Eduardo por oito anos, por abuso de poder econômico, político e dos meios de comunicação, e também citou o vice Alfredo Gaspar. A representação fala em articulações dos irmãos com autoridades americanas, entre elas Donald Trump e o secretário de Estado Marco Rubio, fora dos canais diplomáticos oficiais, e pede apuração de um possível financiamento da rede Rockbridge, cofundada pelo vice-presidente JD Vance, à candidatura de Flávio. O caso foi para o corregedor Ricardo Villas Bôas Cueva. Na sexta, a CNN registrou o pedido novo: incluir a suspensão consular nas apurações de interferência externa, que o tribunal organiza em três frentes, comunicacional, institucional e diplomática. A campanha disse que a medida projeta instabilidade sobre o ambiente do pleito e citou carta de 28 de setembro, de três senadores americanos à Casa Branca, segundo a qual ações recentes apontam para um esforço de interferir e potencialmente minar a eleição. A CNN não publicou os nomes dos senadores.
O outro lado do mesmo dia está na própria diplomacia do governo. O Planalto foi avisado com antecedência, o aviso saiu no site da embaixada na noite de quinta, e a equipe diplomática de Lula minimizou a preocupação de o fechamento cair a dois dias do voto, porque fechar embaixada é decisão do país estrangeiro. A Polícia Federal recebeu o alerta de um suposto plano contra as instalações americanas, buscou em São Paulo e no entorno de Brasília e não confirmou o risco. O que a campanha fez, na leitura do É o Mundo, foi pegar esse fechamento por segurança e levá-lo à ação que já pede para tirar Flávio e Eduardo da eleição.
O Metrópoles lembrou, num reel de sexta à noite, a consequência que essa ação busca: se a interferência dos Estados Unidos for comprovada, a legislação eleitoral pode excluir candidatos e partidos. O caminho que a campanha de Lula já pediu é o do abuso de poder, que, quando reconhecido, cassa o registro e gera oito anos de inelegibilidade. Nada disso está julgado. O corregedor ainda não decidiu, e o fechamento da embaixada, até aqui, tem como justificativa oficial a segurança.

