O Brasil enfrenta uma escalada do crime organizado enquanto o Supremo Tribunal Federal continua concentrado em disputas institucionais e medidas judiciais que pouco aliviam a vida da população. Um pedido de habeas corpus preventivo foi apresentado ao presidente do STF, Edson Fachin, em favor de Marcola, apontado como líder do PCC, e Fernandinho Beira-Mar, associado ao Comando Vermelho.

O pedido surgiu depois que os Estados Unidos classificaram as duas facções como organizações terroristas. O autor alegou que uma eventual ação americana poderia provocar um “salve geral” de violência no país. Fachin negou seguimento ao habeas corpus por entender que não havia ato concreto de autoridade que pudesse ser analisado diretamente pelo Supremo, mas o episódio revela a inversão de prioridades: criminosos poderosos recebem atenção jurídica enquanto cidadãos comuns vivem sob medo, extorsão e domínio territorial.

O jurista Éric Gustavo, candidato a deputado distrital pelo Novo no Distrito Federal, apontou a inversão de prioridades no combate ao crime: “Chefes de facção como Marcola e Beira-Mar bateram à porta do Supremo em busca de salvo-conduto enquanto o cidadão comum vive sob medo e extorsão. O pedido foi negado, e ainda bem. Mas escancara a inversão que tomou conta do país: garantia de sobra para quem comanda o crime, insegurança de sobra para quem trabalha e paga imposto. As garantias da Constituição existem para proteger o cidadão contra o abuso do Estado, não para blindar quem fez do país um refém. Segurança é o primeiro dever do Estado.”