BOLSONARO PODE RETORNAR À PAPUDINHA APÓS PRAZO DE PRISÃO DOMICILIAR EXPIRAR EM 25 DE JUNHO
Decisão temporária de Alexandre de Moraes, que concedeu domiciliar humanitária por 90 dias para recuperação de broncopneumonia, chega ao fim esta semana. Reavaliação do STF definirá se o ex-presidente volta ao regime fechado no 19º Batalhão da PM-DF ou se o benefício será prorrogado.
O prazo de 90 dias da prisão domiciliar humanitária concedida a Jair Bolsonaro (PL) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), encerra-se em 25 de junho de 2026. A medida, autorizada em 24 de março após internação por broncopneumonia bacteriana bilateral, permitiu que o ex-presidente cumprisse pena em sua residência no condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico (DF), com uso de tornozeleira eletrônica e restrições rigorosas.
Bolsonaro foi transferido para casa em 27 de março, após alta do Hospital DF Star. O benefício foi concedido de forma temporária, com reavaliação prevista — inclusive com possível perícia médica — ao final do período, conforme a própria decisão de Moraes.
DECISÃO TEMPORÁRIA E CONDIÇÕES IMPOSTAS POR MORAES
A concessão da domiciliar ocorreu após parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR) e levou em conta o quadro de saúde do ex-presidente, de 71 anos. Moraes destacou que o ambiente domiciliar seria mais adequado para a recuperação plena de pneumonia em idoso, cujo processo pode durar de 45 a 90 dias. No entanto, o ministro deixou claro que a Papudinha (19º Batalhão da Polícia Militar do DF) possui estrutura para atendimento médico e que o benefício não é definitivo.
Durante os 90 dias, Bolsonaro ficou proibido de usar redes sociais, gravar áudios ou vídeos, receber visitas políticas e de terceiros (exceto familiares próximos em horários restritos e advogados). O 19º Batalhão da PM-DF manteve a responsabilidade pela vigilância externa, com vistorias em veículos e monitoramento.
CONTEXTO DA CONDENAÇÃO E PASSAGEM PELA PAPUDINHA
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por condenação da Primeira Turma do STF por tentativa de golpe de Estado e organização criminosa relacionada aos atos de 8 de janeiro de 2023 e esforços para contestar o resultado das eleições de 2022. Ele iniciou o cumprimento da pena em novembro de 2025 na Superintendência da PF e foi transferido em janeiro de 2026 para a chamada Papudinha, ala especial no Complexo da Papuda destinada a autoridades e militares, com cela de cerca de 65 m², banho de sol e fisioterapia.
A internação em março acelerou o pedido de domiciliar, que havia sido negado anteriormente. A defesa argumenta por prorrogação com base em condições de saúde crônicas.
REAÇÃO DA DIREITA E DOS BOLSONARISTAS
Para a direita conservadora e bolsonaristas, o caso simboliza perseguição política e ativismo judicial por parte de Alexandre de Moraes, que atua como relator. A prisão e as restrições são vistas como tentativa de silenciar a principal liderança opositora ao governo Lula/PT, especialmente às vésperas de ciclos eleitorais. Muitos defendem que o ex-presidente deveria estar em liberdade, questionando a proporcionalidade da condenação e a rigidez das medidas cautelares.
IMPACTOS E POSSÍVEIS DESDOBRAMENTOS
A reavaliação de 25 de junho pode manter a domiciliar se laudos médicos indicarem necessidade continuada, ou determinar o retorno à Papudinha. Qualquer descumprimento das regras durante o período domiciliar já poderia justificar revogação imediata. O episódio reforça o tensionamento entre o Judiciário e a oposição, com debates sobre segurança jurídica e uso de prisões em contexto político.

