Na mesma semana em que foi condenado pelo STF, Eduardo Bolsonaro viajou aos Estados Unidos para dar continuidade à sua atuação em Washington. O ex-deputado federal (PL-SP) participa, nesta segunda-feira (22) e terça-feira (23), de uma série de reuniões com membros da administração Donald Trump e congressistas republicanos. O principal tema é a condenação que sofreu e a situação de perseguição judicial que atinge a família Bolsonaro, especialmente as ações do ministro Alexandre de Moraes.

A condenação ocorreu na última terça-feira (16), por unanimidade na Primeira Turma do STF. Os ministros Alexandre de Moraes (relator), Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino votaram pela pena de 4 anos e 2 meses de reclusão em regime semiaberto, multa e inelegibilidade de 8 anos pelo crime de coação no curso do processo. A acusação da PGR sustentou que Eduardo articulou, nos EUA, medidas de pressão contra o Judiciário brasileiro para beneficiar o pai, Jair Bolsonaro, condenado no processo da trama golpista.

CONVITE PARA DENUNCIAR ABUSOS E BUSCAR APOIO INTERNACIONAL

Eduardo Bolsonaro reside nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. Ele justifica a permanência como necessidade de denunciar o que considera uma grave crise de liberdades no Brasil, marcada pelo ativismo judicial e pela atuação de Alexandre de Moraes. A viagem atual ocorre em momento delicado: Moraes deve decidir sobre a manutenção da prisão domiciliar humanitária de Jair Bolsonaro. Para a direita e os bolsonaristas, a ida a Washington representa mais uma etapa legítima de busca por apoio internacional contra o que veem como lawfare e violação sistemática de direitos.

A agenda inclui discussões sobre o restabelecimento de sanções via Lei Magnitsky contra Moraes, que já foram aplicadas e depois suspensas pelo governo Trump. Eduardo e o jornalista Paulo Figueiredo, que o acompanha, defendem que as medidas eram resposta proporcional a abusos de autoridade.

CONTEXTO DA CONDENAÇÃO E REAÇÃO DA DIREITA

A condenação foi vista pela base bolsonarista como mais um capítulo da perseguição política orquestrada pelo STF. Eduardo não foi citado pessoalmente por carta rogatória, o que sua defesa questiona como violação ao devido processo legal. Em nota e vídeos, ele classificou o julgamento como “sem pé nem cabeça” e afirmou que o objetivo real é tirá-lo das eleições futuras. Flávio Bolsonaro, seu irmão e pré-candidato à Presidência, também criticou a decisão como vingança pessoal.

IMPACTO POLÍTICO E POSSÍVEIS DESDOBRAMENTOS

A ofensiva em Washington ocorre em ano eleitoral e reforça o contraste entre a narrativa de “defesa da democracia” do governo Lula e a percepção da direita de que o Judiciário atua como instrumento de exceção contra opositores. A direita e os bolsonaristas observam Eduardo como um dos principais articuladores da resistência internacional àquilo que chamam de ditadura do Judiciário. O foco em Alexandre de Moraes, figura central no julgamento de Jair Bolsonaro e em diversos inquéritos contra a direita, é visto como legítima denúncia de um ministro que acumula poderes e decisões controversas.

A matéria reforça a polarização: enquanto a grande imprensa e a esquerda tratam a atuação de Eduardo como “lobby contra o próprio país”, a direita a enquadra como exercício de liberdade de expressão e busca de aliados contra o autoritarismo interno.