O economista Bruno Musa afirmou no programa Os Pingos nos Is, da Jovem Pan News, que a operação feita na quinta-feira (24) no gabinete do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), é uma perseguição ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral, o ministro Kassio Nunes Marques, do STF. Para ele, o ministro “tem servido agora como bode expiatório”, enquanto outros fatos que “vêm acontecendo debaixo dos nossos olhos” seguem sem apuração. Musa ressaltou que apoia “toda e qualquer investigação” e que Nunes Marques “poderia e deve ser investigado” pelas conversas, mas questionou o tratamento seletivo dado a outros casos no Supremo.

A operação foi determinada pelo corregedor nacional de Justiça, ministro Benedito Gonçalves, e cumprida com apoio da Polícia Federal, que copiou o disco rígido do computador do desembargador, segundo o g1. Ramos não foi afastado. De acordo com as investigações, o escritório da mulher dele, a advogada Camilla Ramos, firmou contrato encontrado no celular de Daniel Vorcaro que previa honorários de até R$ 427 milhões em causas de precatórios do setor sucroalcooleiro de interesse do Master. Nas mensagens, interlocutores do banqueiro chamavam o casal de “turma do KN”, iniciais que, segundo a PF, fazem referência a Kassio Nunes Marques, de quem Ramos foi juiz auxiliar no TRF-1 entre 2018 e 2020.

Nunes Marques declarou que nunca trocou mensagens com Vorcaro, nunca autorizou ninguém a falar em seu nome e nunca votou a favor do banqueiro ou do Master, e classificou a divulgação das conversas como tentativa de criar uma narrativa para incriminá-lo e ameaçar o posto que ocupa no TSE, segundo a CNN Brasil. Ramos disse considerar “natural e regular” a correição do CNJ. No programa, Musa lembrou que o ministro já vinha sob ataque do decano Gilmar Mendes, que em mensagens reveladas neste mês escreveu ao colega “vc tem de sair do tse também”.

O economista comparou o caso com episódios que, segundo ele, não receberam o mesmo rigor, como o contrato da mulher de um ministro com o banqueiro e as condenações do 8 de janeiro. A crítica ecoa entre aliados da oposição, que veem o presidente do TSE, com André Mendonça como vice, sob pressão justamente às vésperas do primeiro turno de 4 de outubro, enquanto o STF segue dividido sobre até onde deve ir a apuração do caso Master.