Franklin Humberto Coral Garrido, conhecido como Beto Coral, ativista e influenciador digital alinhado ao petrismo, foi detido por agentes de imigração dos Estados Unidos na terça-feira (16 de junho) em Phoenix, Arizona. A ordem partiu de um memorando assinado pelo secretário de Estado Marco Rubio, que considerou que Coral utilizou sua permanência no país para realizar “atividades políticas” em apoio ao governo de Gustavo Petro e contra o candidato de direita Abelardo de la Espriella.

QUEM É BETO CORAL

Nascido em Medellín, Coral é filho de um capitão da Polícia morto após participar da operação que capturou Pablo Escobar. Vive nos EUA desde 2015 com visto de turista que expirou, mantendo pedido de asilo pendente. Atua como advogado, colunista, criador de conteúdo nas redes e foi candidato a deputado pela circunscrição internacional pelo Pacto Histórico/Frente Amplo. Ganhou visibilidade como voz agressiva do progressismo, com críticas duras à direita, ao uribismo e, por vezes, a falhas do próprio governo Petro.

IMPORTÂNCIA PARA A ESQUERDA COLOMBIANA

Coral se consolidou como um dos principais influenciadores digitais do petrismo no exterior. Seus conteúdos mobilizam a base de esquerda, atacam opositores e defendem a “Paz Total” e narrativas contra a direita. Sua atuação ganhou relevância na campanha, com críticas diretas a De la Espriella (candidato apoiado por Trump) e organização de atos em Miami. Para a esquerda, representa voz combativa contra o “fascismo” e a “perseguição”. Conservadores o veem como exemplo de ativismo seletivo que beneficia o petrismo enquanto ignora problemas como narcotráfico e insegurança.

POR QUE RUBIO DETERMINOU A ORDEM

Segundo o New York Times, Rubio assinou memorando argumentando que as ações políticas de Coral nos EUA prejudicavam a política externa americana, especialmente ao atacar um candidato aliado (De la Espriella, com apoio explícito de Trump). A detenção ocorreu em meio à segunda volta presidencial colombiana, com Coral atuando contra o candidato de direita. Autoridades americanas citam irregularidade migratória (permanência além do visto), mas o timing e o memorando indicam motivação política clara. Rubio, linha-dura contra regimes de esquerda, age para conter interferência de ativistas alinhados a Petro.

REAÇÃO DE PETRO E CONTEXTO ELEITORAL

Petro classificou a prisão como “perseguição política” e pediu intervenção da embaixada. O caso se soma a alertas da embaixada dos EUA sobre riscos na eleição, criticados pelo presidente como “desrespeito”. A detenção, a dias da votação entre De la Espriella e Iván Cepeda, acirra tensões entre os governos colombiano e americano.