A Frente Parlamentar da Agropecuária, a maior bancada do Congresso, declarou apoio a Flávio Bolsonaro na noite de quinta-feira (1º), dois dias antes do primeiro turno. A carta foi entregue na live do candidato pela senadora Tereza Cristina (PP-MS), vice-presidente da frente. Ela disse que o agro está com Flávio e pediu que o produtor se mobilize para tirar o PT. Flávio respondeu que o compromisso é com o setor, com estabilidade e previsibilidade, com mais recurso para o Plano Safra e para o seguro rural, e que esses recursos não serão contingenciados.

A nota da bancada fala em convergência entre o plano de governo e as demandas urgentes do setor, e em um ambiente de estabilidade a partir de 2027. Quem preside a frente é Pedro Lupion (Republicanos-PR), no cargo até fevereiro de 2027. Meses atrás ele mesmo dizia que a tradição era não se definir no primeiro turno e, no segundo, ficar com o candidato de direita que sobrasse. Ao Estadão, Lupion disse que a diretoria foi consultada e que o apoio responde ao momento do país. Citou a fala de Lula em Santa Catarina, de que o setor teria de se ajoelhar, e a fala no Paraná, jogando no agro a culpa do preço da comida e mandando comer ovo se não houver carne.

O apoio aperta Ronaldo Caiado, que se vendeu na campanha como agro raiz e chamou Flávio de sabor agro. Caiado é produtor, presidiu a UDR e disputava exatamente esse eleitor. A bancada, que em 2022 ficou com Jair Bolsonaro contra Lula, desta vez não esperou o segundo turno. Terra registrou que líderes da frente querem a troca de comando já no domingo. Se Caiado não passar, o recado da carta é o caminho que sobra para o voto do setor.