AUGUSTO CURY DISPARA E REACENDE TERCEIRA VIA, MAS POSIÇÃO NO 2º TURNO PODE SER DECISIVA
Candidato do Avante salta de 2% para 11%; se ficar fora da disputa final, eventual apoio, neutralidade ou voto nulo poderá influenciar a corrida entre Lula e Flávio Bolsonaro
Augusto Cury avançou de 2% para 11% na pesquisa BTG Pactual/Nexus divulgada nesta segunda-feira (31), uma alta de nove pontos percentuais, e consolidou-se como terceira força no cenário em que Lula aparece com 37% e Flávio Bolsonaro com 31%. O levantamento ouviu 2.005 eleitores entre 28 e 30 de agosto, tem margem de erro de dois pontos percentuais e foi registrado no TSE sob o número BR-08900/2026. Outra pesquisa, do instituto Real Time Big Data, também colocou Cury em 11%, reforçando o alerta de que a candidatura do Avante deixou de ser apenas residual.
O crescimento dá a Cury potencial para influenciar um eventual segundo turno. Segundo a Nexus, 46% de seus eleitores dizem preferir Flávio Bolsonaro numa disputa final contra Lula, enquanto 23% escolheriam o petista; os demais se dividem entre outras respostas, indecisão, branco ou nulo. Não foi localizada, até o momento, declaração pública de Cury defendendo voto nulo nesse cenário. Por isso, a possibilidade deve ser tratada como risco político: caso ele fique fora da rodada final, seu apoio, sua neutralidade ou uma eventual campanha pelo voto nulo poderá pesar na capacidade da oposição de concentrar votos.
Votos brancos e nulos não são transferidos a Lula nem a qualquer candidato — eles são excluídos do cálculo dos votos válidos. Ainda assim, uma orientação pela anulação poderia favorecer indiretamente quem chegasse ao segundo turno na liderança, ao dificultar a formação de uma maioria adversária. A disparada de Cury, portanto, reacende a terceira via e também transforma o escritor em possível fiel da balança, tornando sua futura posição tão relevante quanto o crescimento registrado agora.

