RENAN SANTOS VAI AO NORDESTE APÓS BLOQUEIO DIGITAL, E FALAS ANTIGAS VIRAM COBRANÇA
Candidato do Missão planeja comícios em Recife, Fortaleza e São Luís enquanto aliados de Bolsonaro resgatam vídeo no qual ele defendia prisões de adversários políticos
Com a propaganda eleitoral digital restringida e perfis retirados do ar no Brasil por YouTube e Instagram, Renan Santos (Missão) prepara uma ofensiva presencial no Nordeste. Segundo auxiliares, o candidato à Presidência fará comícios no Recife, na sexta-feira (4), em Fortaleza, no sábado (5), e em São Luís, no domingo (6), com foco em segurança pública. A decisão cautelar do ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral, não suspendeu a candidatura nem impediu atos de rua, mas barrou propaganda em perfis não informados no prazo, participação em debates e novos repasses do Fundo Eleitoral.
O bloqueio provocou uma reação incomum entre adversários do campo bolsonarista. Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira criticaram a medida de Toffoli, mas também resgataram falas antigas de Renan. Em um dos vídeos, o hoje presidenciável afirmou que Allan dos Santos, Olavo de Carvalho, Eduardo e Carlos Bolsonaro “deveriam ir presos”. Eduardo disse não ter “pena” e acusou Renan de reclamar do “monstro que ajudou a criar”; Nikolas chamou a decisão de “péssimo precedente”, ao mesmo tempo que afirmou que o grupo de Renan teria comemorado restrições quando os alvos eram integrantes da direita.
O episódio expõe uma contradição política: é possível rejeitar uma decisão considerada excessiva sem apagar declarações anteriores favoráveis a medidas semelhantes contra adversários. Toffoli justificou a cautelar pela comunicação tardia de 16 perfis, que, em sua avaliação, teria quebrado a isonomia entre candidatos; a defesa de Renan nega fraude, atribui o problema ao sistema do TSE e recorre da decisão. A lição que seus críticos tentam impor é direta: quem ajuda a normalizar instrumentos de exceção contra o outro pode acabar atingido por eles — ou, na linguagem popular, quem alimenta a cobra também corre o risco de ser picado.

