O cientista político e historiador Victor Missiato afirmou, em análise veiculada pela Jovem Pan News, que as tensões acumuladas entre Brasil e Estados Unidos nos últimos dois anos tendem a permanecer estáveis no curto prazo, até que o resultado das eleições de meio de mandato norte-americanas seja definido no dia 3 de novembro.

Segundo Missiato, caso os republicanos saiam vitoriosos nas urnas, a tendência é a consolidação de um distanciamento e a manutenção dos atritos políticos com o governo brasileiro. O analista, doutor em História pela Unesp e professor do Instituto Presbiteriano Mackenzie, tem atuado como comentarista frequente sobre relações internacionais e política americana.

As tensões recentes incluem disputas comerciais, com tarifas sobre produtos brasileiros, impasses diplomáticos envolvendo a nomeação de embaixador e revogação de vistos, além de críticas americanas a aspectos do sistema eleitoral e do Judiciário brasileiro. O governo Trump tem adotado uma postura America First que prioriza interesses geopolíticos e ideológicos, em contraste com o alinhamento mais progressista do Palácio do Planalto.

Em comentários relacionados, Missiato observou que Trump busca conforto político sem necessariamente prejudicar interesses comerciais diretos, reconhecendo que o governo Lula está aberto a negociações. No entanto, uma maioria republicana no Congresso reforçaria a capacidade de Washington de sustentar pressões sobre o Brasil em temas como soberania, interferência judicial e alinhamentos internacionais.

A análise destaca o peso do cenário eleitoral americano na definição da relação bilateral no curto e médio prazo. Para a direita brasileira, a manutenção de atritos sob um Congresso republicano representa continuidade da resistência a políticas progressistas e ao ativismo judicial doméstico.