O candidato a deputado federal Renato Araújo (PL-RJ), aliado da família Bolsonaro, publicou um vídeo afirmando que não se surpreenderia se fosse alvo de nova busca e apreensão na véspera de um grande ato eleitoral com Flávio Bolsonaro em Angra dos Reis. A chamada “barqueata” está prevista para sábado, 29 de agosto, e deve reunir Flávio, seu vice Alfredo Gaspar e lideranças do PL na Costa Verde.

Renato apresentou o vídeo como uma tentativa de antecipar eventual operação e reduzir seu impacto político. Segundo ele, ações policiais às vésperas de eventos públicos produziriam “exposição e manchete antes de qualquer conclusão”. A declaração expressa uma suspeita política do candidato. Até o momento, não há informação pública sobre nova ordem de busca, operação da Polícia Federal ou diligência marcada para a véspera do evento.

O receio tem origem em uma operação realizada em 13 de agosto. Naquela ocasião, a Polícia Civil do Rio de Janeiro — e não a Polícia Federal — cumpriu 20 mandados de busca e apreensão em sete municípios, incluindo a sede da Bravo Construções, empresa atualmente registrada em nome da esposa de Renato. O candidato já foi sócio da companhia e assinou propostas dirigidas à Secretaria estadual de Educação como diretor-geral.

A investigação apura suspeitas de irregularidades em reformas de escolas estaduais. A Bravo recebeu contratos de aproximadamente R$ 16,2 milhões para serviços em 15 unidades. O Tribunal de Contas do Estado questionou o uso de Associações de Apoio à Escola, mecanismo criado para pequenos reparos, em obras de maior valor e determinou a suspensão de pagamentos.

A busca não significa que Renato ou a construtora tenham sido condenados. Mandados dessa natureza servem para recolher documentos e equipamentos que serão examinados durante o inquérito. A empresa sustenta que os contratos foram regulares e afirma que a família Bolsonaro nunca teve relação empresarial com suas atividades.

O episódio anterior ocorreu no mesmo dia do lançamento da candidatura de Renato e gerou forte repercussão no PL fluminense. Agora, a proximidade da barqueata aumenta o temor de que qualquer diligência seja interpretada como intervenção no calendário eleitoral. Por outro lado, investigações policiais não deixam de produzir efeitos apenas porque o investigado participa de campanha: a questão decisiva é saber se existe fundamento judicial concreto e se o momento da medida decorre da apuração ou de cálculo político.

Renato mantém relação pública com os Bolsonaro, supervisionou a reforma da residência de Jair Bolsonaro em Mambucaba e recebeu apoio da família em campanhas anteriores. A barqueata deve servir simultaneamente para mobilizar a candidatura presidencial de Flávio e fortalecer o nome de Renato para a Câmara.

Sem uma nova ordem conhecida, o vídeo funciona como prevenção narrativa: se nada acontecer, o candidato dirá ter denunciado uma possibilidade; se houver operação, seus apoiadores já terão recebido a interpretação de perseguição. A Justiça e as polícias, por sua vez, terão de demonstrar com transparência a origem, a data e os fundamentos de qualquer medida futura para afastar suspeitas de interferência eleitoral.