A Advocacia-Geral da União protocolou nesta terça-feira (8/9) pedido de suspensão de liminar ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, contra a decisão do ministro André Mendonça que afastou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada. Segundo a CBN, a AGU classifica a medida como excepcionalíssima e aponta grave lesão à ordem pública e administrativa, por violar frontalmente a prerrogativa privativa do presidente da República para escolher, nomear e exonerar o chefe da corporação.

No recurso, o órgão afirma que a produção e a divulgação de relatórios de inteligência citados por Mendonça como justificativa para o afastamento já estavam sob responsabilidade do próprio presidente do STF, que havia dado cinco dias para a Polícia Federal se manifestar. A AGU também argumenta que a descontinuidade da gestão da PF compromete a polícia judiciária e gera risco de desorganização institucional. Antes de protocolar a ação, o advogado-geral Jorge Messias e o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, reuniram-se com o presidente Lula no Palácio da Alvorada e depois tiveram encontro de cerca de meia hora com Fachin no Supremo.

A liminar de Mendonça segue em vigor. Na Segunda Turma, Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques já votaram pela manutenção do afastamento, formando maioria de 3 a 0, mas o julgamento virtual foi suspenso após pedido de vista de Gilmar Mendes. Enquanto o colegiado não concluir a análise, permanece válida a decisão individual que tirou Andrei do comando da PF. Cabe agora a Fachin decidir se concede a liminar pedida pela AGU para suspender o afastamento.