O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) foi desconvidado de um evento do próprio partido em Santa Catarina. A decisão do diretório estadual ocorreu após críticas públicas de Zema ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), também pré-candidato ao Planalto, pela relação mantida com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O encontro estava previsto para 4 de julho em Joinville. Zema reforçou recentemente suas críticas a Flávio, afirmando que “quem anda com bandido merece ser visto com cautela” em entrevista ao canal Brasil Paralelo. O ex-governador classificou como “imperdoável” o pedido de recursos feito por Flávio a Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Embora tenha recuado parcialmente no passado ao chamar o episódio de “página virada”, as declarações recentes reacenderam o desgaste.

REAÇÃO DO NOVO EM SANTA CATARINA

Em nota, o diretório catarinense informou que a decisão foi tomada após alinhamento interno com dirigentes e mandatários. Além do desconvite, o partido ameaçou se posicionar contra a indicação de Zema como candidato à Presidência pelo Novo caso não ocorra “mudança drástica e imediata” na equipe de comunicação. Santa Catarina é um importante reduto bolsonarista e o Novo mantém alianças locais com o PL.

EDUARDO BOLSONARO COBRA ROMPIMENTO

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) defendeu publicamente o rompimento total entre PL e Novo, qualificando a postura de Zema como “vagabunda” e motivada por rivalidade política. As alianças entre as legendas existem em estados como SC, PR, RS e Goiás, o que torna o atrito especialmente sensível para palanques regionais.

ANTECEDENTES E CONTEXTO NO NOVO

As tensões começaram meses atrás com a divulgação de áudios pelo The Intercept, nos quais Flávio cobra recursos de Vorcaro. Zema, que já foi cotado como possível vice na chapa de Flávio, adotou linha dura em nome do combate à corrupção — bandeira central do Novo. Diretórios estaduais, especialmente no Sul, pressionaram por alinhamento para não prejudicar acordos locais com o bolsonarismo. Zema minimizou o desconvite, afirmando ter “carinho especial” pelos catarinenses e que pretende retornar ao estado em breve.

A direita e os bolsonaristas observam Zema com reservas crescentes: muitos valorizam seu perfil liberal e gestor, mas criticam o que veem como oportunismo ou falta de lealdade ao campo conservador no momento de maior necessidade de união contra o PT e o governo Lula. Flávio é visto como representante natural do legado de Jair Bolsonaro, apesar das controvérsias envolvendo Vorcaro.

IMPACTOS NAS ELEIÇÕES 2026

O episódio expõe rachas na direita e fragiliza o Novo, partido que defende valores liberais e anticorrupção, mas depende eleitoralmente de eleitorado bolsonarista em vários estados. A fragmentação pode beneficiar o campo de esquerda, que se mantém unido em torno de Lula.