A retenção de ônibus em Salvador neste domingo de segundo turno gerou uma sequência de decisões judiciais que alcançou o Supremo Tribunal Federal. Segundo registros de fiscalização e denúncias apresentadas pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, pelo menos 75 veículos ficaram parados em garagens durante o horário de votação. O Procon-BA identificou dezenas de ônibus aptos para circular, mas retidos. A Prefeitura de Salvador informou que a saída atrasou porque sindicalistas colocaram adesivos com o número 13, de Lula, nos veículos e que orientou a liberação mesmo com o material afixado.

O presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia, desembargador Maurício Kertzman Szporer, determinou o restabelecimento imediato de 100 por cento da frota, com frequência de dia útil e gratuidade, sob pena de multa de R$ 1 milhão por hora ao município, à Secretaria de Mobilidade e às concessionárias. Poucas horas depois, o mesmo magistrado ordenou a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, com base em vistorias que apontaram orientação da Semob para a redução. O secretário está em Paris em viagem institucional, e a Prefeitura afirmou que ele se apresentará à polícia. O prefeito Bruno Reis (União Brasil) também foi alvo de pedido de prisão em flagrante pela mesma federação.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, recebeu os relatos e, em decisão assinada às 16h07, deu 30 minutos para que o TRE da Bahia prestasse informações sobre a situação do transporte por ônibus em Salvador. No mesmo prazo, a Procuradoria-Geral Eleitoral deveria apresentar parecer sobre o pedido de prorrogação da votação em Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas. A campanha de Lula pediu a prorrogação do horário inicialmente nas cidades baianas e depois em âmbito nacional.

O ministro do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin recebeu o pedido às 16h32 e determinou a prorrogação de duas horas do encerramento da votação em todas as seções do Brasil, até as 19h, horário de Brasília. Na decisão, o ministro citou a gravidade dos fatos narrados e a urgência da medida, cabendo ao TSE dar cumprimento. A campanha de Flávio Bolsonaro também havia solicitado extensão de horário em outros estados ao TSE. A medida nacional altera o funcionamento das urnas em todo o país por causa dos episódios relatados principalmente na Bahia.