WAACK CONCORDA COM BARRETO QUE A ALA DO STF DECIDE PELA FORÇA
No WW de terça, o cientista político pediu que a sociedade chame o movimento pelo que ele é e o apresentador da CNN assinou embaixo
Na terça-feira (29), no WW da CNN, o cientista político Leonardo Barreto, da Think Policy, descreveu a briga entre o Supremo e o TSE pelo controle da eleição como a preparação de uma guerra, com partidos escolhendo o juiz da causa e com os resultados dos movimentos apontando todos para o mesmo lado, que é a busca de controle sobre decisões que ainda vão sair, entre elas as do próprio processo eleitoral, de modo que ele falou em judicialização mais violenta do pleito, em exércitos se organizando nas trincheiras e em batalhas capazes de acordar divisões sociais que, no passado, já trouxeram coisas ruins, enquanto William Waack resumiu o que ouvia como duas disputas ao mesmo tempo, uma pelo resultado da eleição e outra pelo efeito da eleição legislativa sobre a composição do Supremo e sobre o poder que a Corte exerce hoje.
O trecho que Vinicius Carrion destacou na manhã desta quarta é o momento em que Barreto pediu que a sociedade recupere a capacidade de descrever os fatos como eles são, porque, nas palavras dele, o movimento tem uma roupagem jurídica, mas é força, é um ato de força, e Waack respondeu que concorda inteiramente, lembrando que, como jornalista político, já usa a expressão ala da força para designar a corrente do Supremo que faz a sua predominância pela força, e não pela convicção nem pela razão, leitura que Carrion apresentou como o temor de um rompimento democrático e do fim do caminho institucional, a quatro dias do primeiro turno.
No mesmo programa, Caio Junqueira tratou como jogo combinado a ida de Paulinho da Força, deputado que ele apontou como um dos mais próximos de Alexandre de Moraes, ao gabinete de Flávio Dino no instante em que Dino derrubava a ordem de André Mendonça, com o pedido de tirar Kassio Nunes Marques e Mendonça da comissão do TSE por onde passam as reclamações de propaganda irregular, enquanto Creomar de Souza falou em ofensiva para tomar o controle da corte eleitoral e em uma espécie de guerra civil dentro do Supremo, com o recado de que a presidência, a vice-presidência e uma ministra do TSE não teriam condição de conduzir a parte mais crítica do processo neste momento, risco que ele descreveu como o crescimento de um conflito sem racionalidade, movido pela busca de poder e pelo controle do outro, até o eleitor ficar ao mesmo tempo atordoado e cético em relação ao resultado, seja ele qual for.
O que ficou dito, na própria CNN e não num palanque, é que a disputa interna da Corte foi levada para a urna, porque, como outro participante do WW observou, uma vitória de Flávio Bolsonaro fortalece o grupo que hoje está em minoria no Supremo, ao passo que uma vitória de Lula abre a possibilidade de isolar, dentro da Corte, o grupo de André Mendonça, de forma que o Supremo escolheu a eleição de domingo para resolver a briga de dentro, e a ala que Waack chama de força já mostrou, na terça, que a roupagem jurídica não muda o nome do ato.

