O vereador paulistano Fernando Holiday publicou nas redes sociais um vídeo em que o candidato a deputado estadual Pedro Neto (Avante-RJ), número 70022, dá voz de prisão a agentes da Justiça Eleitoral do Rio de Janeiro durante uma abordagem de fiscalização. Segundo Holiday, os agentes do Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) queriam recolher um totem de Lula vestido de presidiário que o candidato usava em ato de campanha, sob o argumento de que se tratava de propaganda negativa contra o petista. Nas imagens, o candidato pergunta repetidas vezes "qual a fundamentação legal" para a medida e afirma: "Eu vou dar voz de prisão nele".

Holiday afirmou que o boneco é usado pela direita "desde pelo menos 2015, na época do impeachment da Dilma" e que a abordagem ocorreu "sem nenhum fundamento legal". O vereador defendeu a atitude do aliado citando o artigo 301 do Código de Processo Penal, segundo o qual qualquer pessoa do povo pode, e as autoridades policiais devem, prender quem estiver em flagrante delito. "Esses agentes estavam a serviço da militância do PT", declarou. Até a publicação desta reportagem, o TRE-RJ não havia se manifestado publicamente sobre o episódio envolvendo Pedro Neto.

O caso não é isolado. Na segunda-feira (21/9), fiscais do TRE-RJ apreenderam um quadro com a imagem de Jair Bolsonaro durante ato do candidato a deputado federal Rafael Satiê (PL) em Teresópolis, na Região Serrana. Segundo a coluna de Lauro Jardim, em O Globo, o tribunal afirmou que os materiais "não estavam em conformidade com a legislação eleitoral" e que um integrante da campanha foi conduzido à autoridade policial por suposta infração criminal. Em Natal, a Justiça Eleitoral mandou recolher o boneco inflável "Pixuleco", que retrata Lula como presidiário, do comitê do deputado General Girão (PL), que recorreu ao TRE-RN alegando censura e violação da liberdade de expressão, de acordo com a Tribuna do Norte.

A menos de dez dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, a sequência de apreensões amplia a queixa de candidatos conservadores de que a fiscalização da propaganda eleitoral tem mirado símbolos da direita. O caso de Satiê deve ser analisado pelo Ministério Público Eleitoral, e a defesa de Girão aguarda o julgamento do pedido de devolução do Pixuleco pelo relator no TRE-RN.