O colunista Lauro Jardim, de O Globo, publicou às 6h20 deste domingo, dia 4, dia do primeiro turno, uma nota curta com o título “Vorcaro e Moraes retomam contato por canais discretos”, e a frase única do texto bastou para incendiar as redes: “Por meio de canais tão discretos quanto a situação exige, foi restabelecido o contato entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes”. A nota, exclusiva para assinantes, não informa que canais seriam esses, quem fez a ponte entre os dois nem o que foi tratado, e também não traz manifestação do ministro sobre o assunto.

Na manhã do mesmo domingo, Vinicius Carrion compartilhou no Instagram o print de uma publicação dele no X em que reproduz a frase da coluna e pergunta, em tom de ironia: “COMO ASSIM? (...) Se fosse o Xandão, Moraes iria para uma preventiva, não?” A provocação usa o apelido do próprio ministro para sugerir que, pela régua que Moraes costuma aplicar a investigados, um contato desse tipo terminaria em prisão preventiva, e é essa a leitura que ele deixa para os seguidores.

A nota cai sobre um caso que já pesa contra o ministro, porque em 1º de setembro o ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo, tirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal com mensagens extraídas do celular de Vorcaro e enviadas a um contato que a PF atribui a Moraes, e, segundo o Valor Econômico, dois dias antes da primeira prisão, em novembro de 2025, o banqueiro perguntou se deveria deixar o país e, no dia em que foi preso, voltou a escrever: “Alguma novidade? Conseguimos ter notícia ou bloquear?”. Moraes não se manifestou sobre o teor do relatório naquela ocasião, e em março o Supremo tinha divulgado nota afirmando que uma análise técnica não identificou mensagens associadas ao contato do ministro no dia da prisão.

O detalhe que torna a nota de Lauro Jardim ainda mais intrigante é que Vorcaro não está solto, já que o ex-dono do Banco Master segue preso no 19º Batalhão da Polícia Militar, a chamada Papudinha, em Brasília, de onde prestou depoimento por videoconferência à PF na quarta-feira, dia 30, no inquérito sobre o grupo “A Turma”, como registrou O Globo. É a partir da cela, portanto, que o contato com um ministro do Supremo teria sido restabelecido, e a pergunta de Carrion sobre o que aconteceria se o investigado fosse outro chega às urnas deste domingo sem resposta.