Vieira senta com o chanceler do Irã no Brics enquanto Trump está em guerra com Teerã
Em Nova Délhi, no sábado, Mauro Vieira reuniu-se com Seyed Abbas Araghchi. Os Estados Unidos e o Irã travam guerra desde fevereiro e Washington já tarifou o Brasil.
O chanceler Mauro Vieira encontrou no sábado (12), em Nova Délhi, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi. A reunião foi à margem da cúpula do Brics. A agência estatal iraniana Mehr e a CNN Brasil registraram o bilateral. Lula não foi à Índia: está na reta da campanha e mandou o Itamaraty. No mesmo sábado o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse que o Oriente Médio “não precisa de um policial”, em recado aos Estados Unidos.
A guerra entre Washington e Teerã começou no fim de fevereiro, com ataques dos EUA e de Israel. O Estreito de Ormuz trava o petróleo. Trump disse à Fox, na quinta, que não se arrepende e que faria tudo de novo. O memorando de junho para encerrar o conflito desabou em julho. No Brics, o comunicado pediu “máxima prudência” no Oriente Médio. Vieira, na abertura, falou em “colapso” da governança global e em multilateralismo contra as intervenções. Depois sentou com Araghchi, com o chanceler de Cuba e com a diretora da OMC.
Para a Casa Branca o recado é simples. O Brasil que Trump já tarifou e cuja embaixadora perdeu o visto senta com o chanceler de um país com o qual os Estados Unidos estão em guerra. Araghchi passou pela Guarda Revolucionária e negocia o nuclear iraniano. O mesmo Itamaraty que Lula usa para cobrar prudência de Trump oferece palco ao Irã no Brics. Cabe a Vieira explicar o que combinou. Cabe ao Planalto dizer se essa mesa vale a briga com Washington a três semanas da urna.

