O Diário do Poder recuperou o que o Chile fez com a própria Corte Suprema. Entre outubro de 2024 e 22 de dezembro de 2025 o Senado chileno aprovou três acusações constitucionais — o impeachment de juiz daquele país — e tirou do cargo Ángela Vivanco, Sergio Muñoz e Diego Simpertigue. O terceiro caiu por dois capítulos de abandono de deveres na trama bielorrusa e no caso Fundamenta. Os três ficaram inabilitados para função pública por cinco anos. A Câmara formula o libelo. O Senado vota. Um capítulo aprovado basta para a queda. O site oficial do Senado do Chile registrou a sessão.

No Brasil o caminho está no artigo 52, inciso II, da Constituição e na Lei 1.079/50. O Senado processa e julga ministro do STF por crime de responsabilidade. Qualquer cidadão pode denunciar, salvo o que Gilmar Mendes tentou estreitar por liminar. Admitida a denúncia, comissão de 21 senadores opina. Maioria simples pode afastar o alvo por até 180 dias. Condenação pede 54 votos, dois terços da Casa. Pena: perda do cargo e inabilitação de até cinco anos — o mesmo prazo que o Chile aplicou. Nunca um ministro do Supremo caiu por esse rito depois de 1988. Contra Alexandre de Moraes já passaram de cinquenta pedidos. Oito entraram depois das mensagens com Vorcaro. Alessandro Vieira protocolou um com mais de vinte assinaturas. A OAB-DF pediu o de Moraes e o de Toffoli. Rogério Marinho renovou o da oposição no dia 1º.

A diferença não é a Constituição. É quem segura a chave. No Chile o Senado votou e três togas saíram. No Brasil Davi Alcolumbre preside a Casa que recebe o pedido e o plenário do STF marca terça (15) para decidir se Moraes vira investigado pela própria Corte. O Chile mostrou que Corte Suprema não é cargo vitalício quando o Congresso usa o mecanismo. Cabe ao Senado brasileiro pautar o que já está protocolado. Cabe a Alcolumbre deixar o rito andar. A sessão de terça e o impeachment no Senado são as duas portas que o caso Master abriu.