VEJA DIZ QUE O CELULAR DE VORCARO TEM MAIS DE 450 MENSAGENS E 180 LIGAÇÕES COM OPERADOR DE PADILHA
O áudio de maio de 2024 fala em colocar o banqueiro na boca do gol no Banco do Brasil, e Lula e Padilha negam
A VEJA publicou neste sábado, 10, que a Polícia Federal encontrou no celular de Daniel Vorcaro mais de 450 mensagens e mais de 180 telefonemas trocados com um consultor identificado apenas como Júlio. A revista o descreve como o operador que, segundo o próprio banqueiro, fazia a ponte do grupo do ministro Alexandre Padilha com dirigentes de fundos de pensão. Não são 180 gravações soltas de toda a Esplanada. São mensagens e ligações desse interlocutor com Vorcaro. Num áudio de maio de 2024, Júlio diz que Henrique Jäger, então presidente da Petros, estava numa reunião de conselho e que, se houvesse novidade no Banco do Brasil, colocaria Vorcaro “na boca do gol” na quarta-feira.
O desenho que a revista atribui a Vorcaro é uma captação de cerca de R$ 10 bilhões em papéis do Banco Master junto aos fundos de pensão de servidores da Petrobras, dos Correios, da Caixa e do Banco do Brasil. Vorcaro ficaria com R$ 9 bilhões e R$ 1 bilhão iria, na conta dele, como propina de 10% pelo lobby para entrar na Previ, na Petros e na Postalis. A reportagem lembra uma audiência de 17 de julho de 2023 no Planalto, em que Padilha recebeu João Fukunaga, da Previ, Camilo Fernandes dos Santos, da Postalis, Ricardo Pontes, da Funcef, e Henrique Jäger, da Petros. Em outra peça da mesma apuração, a VEJA diz que as tratativas de 2024 e de parte de 2025 passaram por Olavo Noleto, então secretário-executivo de Padilha, e que o Master entrou na lista exaustiva do governo em maio de 2024.
Alexandre Padilha, Olavo Noleto, Augusto Lima e o presidente Lula negaram, em notas, qualquer relação com os negócios de Vorcaro no governo e refutaram as acusações do banqueiro. A revista informou que tentou contato com os demais citados e aguardava retorno. O que está publicado, portanto, é o material do celular, o áudio de Júlio e a versão de Vorcaro, de um lado, e a negativa do Planalto, do outro. A leitura de que o governo estaria em pânico e sem reação é o tom do perfil que repercutiu a reportagem, não uma frase da VEJA nem uma declaração de ministro.

