A Polícia Federal aponta que o empresário Marcelo Paes Fernandez Conde, filho do ex-prefeito do Rio Luiz Paulo Conde, comprou e vazou dados fiscais sigilosos de Viviane Barci de Moraes, advogada e esposa do ministro Alexandre de Moraes. O STF, sob relatoria do próprio Moraes, decretou prisão preventiva na Operação Exfil, em abril. Segundo a PF e a PGR, houve acesso ilícito a sistemas da Receita e do Coaf e dados de 1.819 contribuintes, entre eles familiares de ministros. Conde nega as acusações, está na Espanha e pede o impedimento de Moraes no caso, por ser marido da suposta vítima.

O vazamento ganhou peso político porque os dados fiscais se cruzam com o contrato do escritório Barci de Moraes com o Banco Master. Reportagens com base em mensagens do celular de Daniel Vorcaro mostram Viviane enviando, em janeiro de 2024, a minuta de um acordo de R$ 129 milhões (R$ 3,6 milhões por mês). A Receita informou à CPI pagamentos de R$ 80,2 milhões ao escritório entre 2024 e 2025. O escritório disse ter prestado consultoria e compliance e não comenta o contrato. Não há condenação de Viviane ou de Moraes por esse acordo.

No fim de agosto a Audiência Nacional da Espanha deixou Conde em liberdade após prisão em Madri e registrou que o pedido de entrega parte do gabinete do mesmo juiz cuja mulher figura como vítima. Há denúncias na CIDH e pedidos de extraditados no exterior, mas petição e recusa de extradição não são sentença internacional contra o ministro.