LULA FALTA A QUATRO POSSES DE PRESIDENTES DE DIREITA E É ACUSADO DE ISOLAR O BRASIL NA AMÉRICA LATINA
Petista não compareceu ou não irá às cerimônias de Javier Milei (Argentina), José Antonio Kast (Chile), Keiko Fujimori (Peru) e Abelardo de la Espriella (Colômbia). Críticos apontam arrogância diplomática e enfraquecimento da liderança regional brasileira.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sistematicamente se ausentado das posses de chefes de Estado de direita na América Latina. A lista inclui a cerimônia de Javier Milei na Argentina, a de José Antonio Kast no Chile, a de Keiko Fujimori no Peru (marcada para esta terça-feira, 28 de julho) e a de Abelardo de la Espriella na Colômbia (7 de agosto). Em todos os casos, o governo brasileiro envia o chanceler Mauro Vieira ou outro representante.
O PADRÃO DE AUSÊNCIAS
A decisão de não comparecer a essas cerimônias é justificada pelo Planalto por compromissos internos e pela proximidade das eleições brasileiras. No entanto, analistas e opositores enxergam um padrão ideológico: Lula prioriza governos de esquerda e evita o contato direto com líderes de direita eleitos democraticamente. O resultado, segundo críticos, é um Brasil que se apresenta como potência regional, mas age de forma isolada e apequenada.
CRÍTICAS À ARROGÂNCIA DIPLOMÁTICA
Comentaristas apontam que liderança não se exerce por preferências pessoais, mas por dever de Estado. Ao boicotar as posses de vizinhos por divergências ideológicas, o governo troca o pragmatismo pela soberba política. Casos como o do Chile, onde o presidente eleito manteve tom cordial mesmo com diferenças, contrastam com a postura brasileira. No caso de Milei, a ausência foi acompanhada de uma crise diplomática aberta após o discurso do argentino na convenção do PL.
O MAPA POLÍTICO DA REGIÃO
Com as recentes vitórias da direita no Peru e na Colômbia, sete dos 12 países da América do Sul passam a ser governados por lideranças de direita ou centro-direita. O Brasil, ao lado do Uruguai, figura entre os poucos governos de esquerda restantes. A ausência reiterada de Lula nessas cerimônias reforça a percepção de isolamento e enfraquece a capacidade do país de exercer influência regional em temas como comércio, segurança e integração.
A diplomacia brasileira, historicamente baseada no pragmatismo e na presença do chefe de Estado, enfrenta agora o desafio de reconstruir pontes em um continente cada vez mais alinhado à direita.

