O Tribunal Superior Eleitoral julga nesta quarta-feira (30), no plenário virtual, o que fazer com as publicações que ligam Flávio Bolsonaro a uma suposta iniciativa de tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A sessão vai até 23h59. Por volta das 20h30, o relator, André Mendonça, mudou um ponto do voto: o post do ator Antonio Tabet fica no ar.

O texto de Tabet dizia: “A família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida.” Ele não cita o nome de Flávio. Ricardo Villas Bôas Cueva, que abriu a divergência, chamou a frase de depreciativa, mas entendeu que ela não afirma um ato concreto do candidato. Mendonça escreveu que, diante dessa ambiguidade, reconsiderava o voto só nesse ponto, para preservar a publicação de Antonio Pedro Osorio Tabet. Floriano de Azevedo Marques já tinha seguido Cueva.

O resto da ordem permanece. Saem do ar as publicações que apresentam como fato que Flávio apresentou, apoiou ou articulou a retirada do título. Mendonça, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli partiram do mesmo dado: não há projeto, declaração nem ato do candidato que sustente essa frase. Para o relator, apagar a repetição de um núcleo já reconhecido como desinformativo não é censura prévia, porque não exige autorização para publicar de novo e não suspende perfil.

Antes do ajuste, o placar da noite era de 3 a 2, com Estela Aranha e Sebastião Reis ainda sem voto. A coluna de Manoela Alcântara, no Metrópoles, registrou depois das 20h30 que já havia maioria para a combinação: Tabet fica, a mentira factual sai. O mesmo caso já tinha ido ao Supremo. Flávio Dino derrubou a ordem do TSE, Luiz Fux suspendeu Dino, e Nunes Marques pediu providências a Edson Fachin. O voto do colegiado, segundo o Metrópoles, esvazia essa ida ao plenário do STF.