O presidente Donald Trump demitiu os últimos integrantes da Comissão de Assistência Eleitoral (EAC), órgão federal criado em 2002 para auxiliar autoridades locais na administração de eleições nos Estados Unidos. Dois comissários indicados por democratas foram dispensados pela Casa Branca, e uma integrante indicada por republicanos apresentou renúncia. A medida acontece a quatro meses das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para novembro.

A EAC é responsável por certificar urnas e sistemas de votação, além de coordenar o registro de eleitores por correspondência. A lei permite a indicação de novos integrantes, mas ainda não está claro como o governo pretende recompor o órgão.

Recentemente, a Suprema Corte ampliou o poder do presidente para demitir integrantes de agências independentes. A Casa Branca afirmou que Trump tem autoridade para substituir pessoas não alinhadas com a missão de garantir a segurança das eleições.

 CONTEXTO POLÍTICO DA DECISÃO

A decisão ocorre em meio a esforços de Trump para reforçar o controle sobre o processo eleitoral. O presidente tem defendido mudanças nas regras eleitorais, incluindo o projeto Save America Act, que propõe restrições ao voto por correio e alterações no cadastramento, medidas vistas por críticos como direcionadas a dificultar o acesso de eleitores com perfil democrata.

Especialistas apontam que a desmontagem da EAC fragiliza uma camada de fiscalização e padronização nacional, especialmente em um sistema eleitoral descentralizado, onde cada estado tem autonomia. A ausência de uma comissão federal pode aumentar disputas entre estados e partidos sobre contagem de votos e certificação de resultados.