Nesta quarta-feira (17/6), durante a cúpula do G7 em Évian-les-Bains, na França, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou ter conversado com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e fez duras críticas ao cenário político do Brasil. Questionado sobre a classificação das facções criminosas PCC e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas e sobre as tarifas adicionais impostas pelos EUA, Trump afirmou que o Brasil “está se tornando um país duro politicamente. Um pouco perigoso politicamente. Está meio desagradável”.

A declaração reforça as tensões bilaterais que marcaram os últimos meses, com o governo Trump adotando medidas firmes contra o que considera ameaças à segurança e práticas comerciais desleais por parte do Brasil.

CONTEXTO DA DECLARAÇÃO DE TRUMP

A fala de Trump veio em resposta direta a perguntas sobre as ações recentes dos EUA contra o Brasil. O Departamento de Estado americano classificou o PCC e o CV como organizações terroristas estrangeiras, medida que entrou em vigor no início de junho de 2026. Essa designação permite sanções financeiras, congelamento de ativos e maior flexibilidade operacional contra as facções, que atuam também em território americano e na região.

Paralelamente, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) recomendou tarifas adicionais de até 25% sobre produtos brasileiros, alegando práticas comerciais desleais, incluindo questões relacionadas ao Pix e ao combate ao trabalho forçado. O governo brasileiro vê essas medidas como de caráter mais político do que técnico.

LULA RESPONDE COM CRÍTICAS INDIRETAS

Durante o G7, Lula discursou praticamente de frente para Trump e fez críticas veladas ao protecionismo e ao unilateralismo americano, sem citar nomes. Defendeu que o combate ao crime organizado deve respeitar a “soberania dos Estados” — uma clara resposta à designação das facções como terroristas. Lula criticou ainda o “neoliberalismo” e o ressurgimento de medidas protecionistas como “respostas falaciosas”.

Não houve reunião bilateral formal entre os dois líderes, embora tenham trocado cumprimentos rápidos em evento social. A expectativa de um diálogo mais profundo sobre tarifas não se concretizou plenamente.

REAÇÃO DA DIREITA E BOLSONARISTAS

A direita brasileira e os bolsonaristas veem a postura firme de Trump como um alerta necessário contra o enfraquecimento do Estado brasileiro no combate ao crime organizado sob o governo PT. Muitos destacam que a classificação das facções como terroristas expõe a falha do atual governo em controlar o avanço do PCC e CV, que dominam rotas de tráfico internacional e desafiam a soberania nacional. A aproximação de Trump com figuras como o senador Flávio Bolsonaro é interpretada como sinal de que Washington reconhece os riscos representados pela esquerda no poder.

IMPACTOS E POSSÍVEIS DESDOBRAMENTOS

As medidas americanas podem afetar diretamente exportadores brasileiros e o sistema financeiro, além de aumentar a pressão por resultados concretos no combate ao crime. Indiretamente, fortalecem narrativas eleitorais de 2026, polarizando o debate entre soberania e segurança efetiva. O governo Lula tenta negociar concessões para evitar o tarifaço pleno, enquanto a oposição cobra maior firmeza contra as facções.

A imprensa majoritária brasileira tende a enfatizar o “confronto” e a “tensão”, muitas vezes omitindo a gravidade do problema das facções e o histórico de políticas lenientes do PT em segurança pública.