TOFFOLI PREFERIU O SILÊNCIO, DEIXOU O CALDO ENTORNAR NO STF E JOGOU LULA NA FOGUEIRA DO CASO MASTER
Suspeito no caso Banco Master, o ministro abriu mão de votar na sessão que discutiu a situação de Alexandre de Moraes e acabou fortalecendo André Mendonça, a quem ajudou a chegar ao Supremo. Lula já havia atacado publicamente o caráter do ministro que ele mesmo indicou.
O silêncio do ministro Dias Toffoli no caso Banco Master mudou a correlação de forças no STF e fortaleceu o relator André Mendonça na disputa com o grupo de Alexandre de Moraes, segundo reportagem da colunista Thaís Bilenky publicada nesta sexta-feira (25) pelo UOL. Toffoli se declarou suspeito “por foro íntimo” e não decide nada sobre o Master desde fevereiro. Na sessão de 15 de setembro, porém, quando o plenário discutiu a questão de ordem de Gilmar Mendes para analisar em conjunto as situações de Moraes e Mendonça, ele poderia ter reivindicado o direito a voto, de acordo com assessores do Supremo ouvidos pela colunista. O próprio Moraes votou sem ser contestado, assim como Mendonça. Toffoli preferiu ficar calado e, com isso, deixou de dar maioria ao amigo dos tempos da Faculdade de Direito da USP.
Toffoli deixou a relatoria do inquérito em fevereiro, depois que um relatório da Polícia Federal apontou negócios do ministro com a teia financeira do Master em torno do resort Tayayá, no Paraná, e o sorteio entregou o caso justamente a Mendonça. Segundo o UOL, a Segunda Turma, formada por Mendonça, Toffoli, Luiz Fux, Nunes Marques e Gilmar, passou a aprovar o que o relator propunha, como a manutenção da prisão de Daniel Vorcaro em março, por 4 a 0, e a renovação da prisão do pai e do primo do banqueiro em junho, por 3 a 1, já com Gilmar contra. A relação entre os dois vem de quase duas décadas. Em 2007, como advogado-geral da União no segundo governo Lula, Toffoli baixou a portaria que promoveu mais de 500 advogados da União à categoria especial, entre eles Mendonça, e depois avalizou seu nome para a AGU e para o Supremo no governo Bolsonaro.
A postura irritou o Palácio do Planalto. Ao lançar a campanha à reeleição em agosto, em São Bernardo do Campo, Lula lembrou que na ditadura um delegado o deixou sair da cadeia para o enterro da mãe e que, na democracia, “um ministro que eu indiquei” não permitiu que fosse ao enterro do irmão Vavá. “Os homens não são medidos por épocas, são medidos pelo caráter, pela dignidade, pela criação que ele teve de berço”, disse. A reportagem relata ainda que a campanha petista passou a reclamar de um Mendonça mais ágil em medidas contra o entorno do presidente, como no inquérito do INSS que cita Lulinha, e que Lula acabou acusando o relator de “vazamento seletivo”.
Com a suspeição usada como escudo, Toffoli ficou fora das decisões mais delicadas e, ao mesmo tempo, abriu espaço para que o caso que tanto incomoda o governo avançasse nas mãos de um ministro a quem ajudou a chegar ao Supremo. Procurado pelo UOL, Toffoli não respondeu. A disputa no STF está em pausa até o primeiro turno de 4 de outubro, mas o escândalo do Master segue pairando sobre a campanha de Lula e sobre a própria corte.

