TESOURADA DE R$ 300 BILHÕES: EQUIPE DE FLÁVIO PREPARA UMA “PEC DA TRANSIÇÃO” AO CONTRÁRIO PARA CORTAR GASTOS SE ELE VENCER
O valor é tratado por interlocutores do candidato como um “número mágico” para estabilizar a dívida pública, hoje perto de 82% do PIB. A proposta seria o oposto da PEC que Lula aprovou em 2022 para ampliar despesas.
O time econômico do candidato Flávio Bolsonaro (PL) vê como cenário ideal apresentar, caso vença a eleição, uma espécie de nova “PEC da Transição” com corte de gastos da ordem de R$ 300 bilhões, segundo o blog do jornalista Caio Junqueira, na CNN Brasil, nesta sexta-feira (25). O valor é tratado entre interlocutores do senador como um “número mágico”, a ser defendido ainda em 2026, para estabilizar a dívida pública, hoje na casa de 82% do PIB. Na prática, seria o movimento inverso da PEC apresentada por Lula depois da eleição de 2022, quando o petista acertou com o Congresso uma proposta para gastar cerca de R$ 270 bilhões, segundo a CNN.
De acordo com a reportagem, o plano prevê fazer a despesa crescer menos do que a receita sem criar um novo marco fiscal e, ao menos, acabar com as exceções abertas pelo governo Lula no arcabouço, que formaram o que a equipe chama de orçamento paralelo. As medidas estão divididas entre leves, médias e duras, são mantidas sob sigilo e teriam efeitos diluídos ao longo do tempo. Nos programas sociais, o foco seria combater desperdícios e irregularidades, mantendo os benefícios, e o desenho inclui a desvinculação de recursos da saúde e da educação. A campanha resume a lógica com o lema “quem não cuida das contas não pode cuidar das pessoas”.
O número representa uma elevação da ambição em relação ao que a equipe vinha apresentando. Em 9 de setembro, a VEJA revelou que o assessor econômico Luiz Felipe Trevisan detalhou à consultoria Eurasia uma “Super PEC” com ajuste de cerca de R$ 200 bilhões, ou 1,5% do PIB, a ser negociada entre a eleição e a posse, com reforma administrativa, redução de ministérios, corte de cargos comissionados e combate a fraudes. A avaliação do grupo é que um corte imediato seria um sinal forte aos agentes econômicos e ajudaria a derrubar os juros.
A aprovação de uma PEC exigirá negociação com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta, ambos apoiadores de Lula nesta eleição, segundo a CNN. O tamanho da nova bancada que sairá das urnas em 4 de outubro vai definir a viabilidade do pacote, que pode marcar a primeira grande disputa de um eventual governo Flávio com o Congresso.

