COMO O TESOURO AMERICANO RASTREOU ESQUEMA DE LAVAGEM DE DINHEIRO DO PCC QUE MOVIMENTOU US$ 190 MILHÕES
Sanções do OFAC atingem rede de empresas ligadas a Victor Shimada, incluindo Pix Wave, Victory Trading e Wave Construções, usadas para repatriar recursos do tráfico via China e criptoativos.
Uma empresa de pagamentos, uma de trading, uma construtora e uma companhia em Portugal foram as quatro empresas sancionadas pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo o governo americano, o grupo operava uma rede de lavagem de dinheiro que movimentou mais de US$ 190 milhões em apenas sete meses.
Os alvos principais são o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado como chefe do núcleo paulista do esquema, e Estela Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, sua parente e colaboradora. As empresas sancionadas são Pix Wave Soluções de Pagamentos, Victory Trading Intermediação de Negócios, Wave Construções Inteligentes e Avenidas Flutuantes Unipessoal (Portugal).
MECANISMO DE LAVAGEM
De acordo com o Tesouro, o dinheiro do tráfico nos Estados Unidos (principalmente na Flórida) era repatriado ao Brasil por meio de uma rede chinesa de eletrônicos, uma plataforma de comércio eletrônico chinesa e criptoativos. Em janeiro, o FBI já havia prendido seis pessoas na Flórida ligadas ao esquema.
IMPACTO PRÁTICO DAS SANÇÕES
- Congelamento imediato de bens nos EUA.
- Proibição de negociar com empresas americanas ou que operem nos EUA.
- Sanções secundárias: Qualquer empresa (inclusive bancos fora dos EUA) que continue negociando com os sancionados pode ser punida, isolando-os do sistema financeiro global que gira em torno do dólar.
As sanções partem do OFAC (Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros) e não dependem de decisão judicial, valendo por tempo indeterminado. Sair da lista é extremamente difícil.
Este é o primeiro caso de sanções contra brasileiros por ligações com facções desde que os EUA classificaram PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas no fim de maio. O governo brasileiro criticou a medida por temer interferência e riscos ao ambiente de negócios, enquanto o senador Flávio Bolsonaro defendeu a ação e pediu diretamente a Donald Trump que fosse adotada.

