O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou pedido direto ao ministro Alexandre de Moraes para que ele inclua o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em inquérito sob sua relatoria, abrindo caminho para investigar a relação do senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro no financiamento do filme "Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro. A ação ocorre no contexto do caso Banco Master e tem como objetivo explícito afastar o ministro André Mendonça, relator natural da investigação sobre fraudes no banco. Até o momento, não há inquérito formal aberto contra Flávio, mas a pressão política é evidente. 

CONTEXTO E HISTÓRICO

O caso ganhou força após vazamento de áudios revelados pelo The Intercept Brasil, nos quais Flávio Bolsonaro cobra repasses de Vorcaro para a produção do filme. Segundo o senador, os recursos (cerca de R$ 61 milhões já pagos de um total negociado maior) eram destinados exclusivamente à produção cinematográfica. O Banco Master, porém, é investigado por fraudes e corrupção de agentes públicos, com Mendonça como relator desde fevereiro após sorteio. A esquerda e aliados do governo Lula tentam ligar o financiamento do filme a supostas irregularidades, incluindo possível uso de recursos para sustentar Eduardo Bolsonaro nos EUA. A PF e PGR ainda avaliam como prosseguir.

PERSONAGENS E ENVOLVIDOS

  • Flávio Bolsonaro (PL-RJ): Senador e pré-candidato à Presidência. Admite ter negociado com Vorcaro para o filme, mas nega irregularidades.
  • Daniel Vorcaro: Ex-controlador do Banco Master, delatado e preso. É o principal financiador apontado do "Dark Horse".
  • Lindbergh Farias (PT-RJ): Deputado petista autor do pedido para Moraes assumir o caso.
  • Alexandre de Moraes: Ministro do STF, relator do inquérito envolvendo Eduardo Bolsonaro. Alvo de pedido de suspeição pela defesa de Flávio.
  • André Mendonça: Ministro do STF, relator do caso Banco Master — considerado mais alinhado à direita.
  • Eduardo Bolsonaro: Ex-deputado cassado, investigado por coação no exterior.
  • Jair Bolsonaro: Ex-presidente, tema central do filme.

REAÇÕES

A direita e bolsonaristas veem a manobra como mais uma tentativa de lawfare e perseguição política coordenada pela esquerda para desgastar Flávio Bolsonaro, principal nome conservador para 2026. Flávio já protocolou pedido de suspeição de Moraes, alegando proximidade via contrato do escritório da esposa do ministro com o Banco Master. O PT comemora o avanço como "combate à corrupção". A PF estuda opções de investigação, incluindo possível inquérito novo. 

TRATAMENTO DA IMPRENSA

Veículos alinhados à esquerda (como Brasil de Fato, Valor e Globo) enfatizam suspeitas de desvio de recursos e "caixa 2", enquanto portais conservadores como Gazeta do Povo destacam a tentativa explícita de "forum shopping" para afastar Mendonça e entregar o caso a Moraes. Muitos omitem o pedido direto de Lindbergh e o contexto de perseguição política.

CONSEQUÊNCIAS

A manobra reforça a percepção de parcialidade no STF, especialmente de Moraes, e pode gerar mais desgaste à imagem de Flávio na pré-campanha, apesar de ainda não haver investigação formal. Fortalece o discurso bolsonarista de que o Judiciário é usado como arma política contra a direita. Economicamente, afeta a credibilidade do filme e possíveis parcerias futuras.

POSSÍVEIS DESDOBRAMENTOS

A PGR deve se manifestar sobre pedidos de inclusão e novo inquérito. Decisão sobre suspeição de Moraes ou redistribuição pode definir o rumo. Se prevalecer o ativismo, novas medidas cautelares contra Flávio podem surgir, ampliando a narrativa de "perseguição". A direita deve reagir com mobilização popular e denúncias de violação à segurança jurídica.