TENSÃO NO STF: ANDRÉ MENDONÇA E MINISTRO DA JUSTIÇA SELAM PACTO APÓS ATRITOS SOBRE LULINHA
Em reunião intermediada pelo advogado-geral da União, Jorge Messias, o ministro do STF e Wellington César Lima e Silva buscaram conter o clima de atrito com a Polícia Federal nas investigações do INSS que citam o filho do presidente Lula. Compromisso de cooperação foi firmado, mas sem encontro imediato com a direção da PF.
Em uma tentativa de conter o clima de tensão entre o Supremo Tribunal Federal e a direção da Polícia Federal, o ministro André Mendonça reuniu-se com o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, sob intermediação do advogado-geral da União, Jorge Messias. O encontro, realizado na manhã de quinta-feira (6 de agosto), buscou pacificar atritos institucionais gerados por suspeitas de ingerência e retenção de informações nas apurações do INSS que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
REUNIÃO BUSCA RECONSTRUIR PONTES INSTITUCIONAIS
A insatisfação de Mendonça se intensificou após o gabinete do ministro passar a suspeitar de atrasos, troca de coordenação de equipes e retenção de informações no âmbito das investigações sobre fraudes bilionárias no INSS (Operação Sem Desconto). Recentemente, a Polícia Federal encaminhou novos pedidos de inquérito à presidência do STF sem solicitar a prevenção direta do gabinete de Mendonça. O movimento gerou mal-estar e foi interpretado, segundo interlocutores, como tentativa de retirar a relatoria das mãos do magistrado. Parte dos pedidos acabou redistribuída, com um deles indo para o ministro Flávio Dino.
COMPROMISSO DE COOPERAÇÃO FOI FIRMADO
Na conversa, os ministros selaram o compromisso de manter a cooperação institucional nos processos sob relatoria de Mendonça. Wellington César se colocou à disposição para intermediar o diálogo com a corporação, enquanto Mendonça reafirmou sua atuação criteriosa nos casos. Fontes apontam que o encontro foi positivo e serviu para “aparar arestas”, com ênfase na preservação da independência da PF e dos papéis institucionais do Supremo.
SEM PREVISÃO DE ENCONTRO DIRETO COM O DIRETOR DA PF
Apesar da aproximação, interlocutores informam que não há previsão imediata de um encontro direto entre o ministro do STF e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O entendimento no momento é valorizar o diálogo e avançar passo a passo. O ministro da Justiça ficou com a missão de reunir-se com a direção da PF nos próximos dias para definir condições de trabalho que preservem a autonomia policial sem gerar novos ruídos com o relator.
ATRIITOS VÊM DE MÚLTIPLOS EPISÓDIOS
A tensão acumula-se há meses. Mendonça cobrou agilidade no envio de relatórios sobre a quebra de sigilos de Lulinha (autorizada no início do ano) e reagiu a mudanças na coordenação da investigação sem aviso prévio. Do lado da PF, houve questionamentos a determinações do ministro sobre fluxo de informações e comunicação de alterações de equipe, a ponto de a corporação acionar a AGU em busca de “remédio judicial”. Superintendentes da PF chegaram a divulgar nota defendendo a autonomia da instituição. O caso INSS e os desdobramentos que citam Lulinha (suspeitas de tráfico de influência e corrupção em contratos públicos) permanecem sob acompanhamento próximo.

