A Polícia Federal, em conjunto com a Controladoria-Geral da União, deflagrou nesta segunda-feira (10) a Operação Compliance 82 para apurar suspeitas de irregularidades na aplicação de recursos do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev). Segundo a investigação, o fundo destinou R$ 97 milhões a letras financeiras emitidas pelo Banco Master. As medidas foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, e incluem oito mandados de busca e apreensão cumpridos em Alagoas e São Paulo, além do bloqueio de bens até o limite do valor investigado.

O QUE A PF APURA

A Polícia Federal investiga duas operações: a primeira, de R$ 80 milhões, realizada em dezembro de 2023, e a segunda, de R$ 17 milhões, em maio de 2024. De acordo com a corporação, o objetivo é esclarecer as circunstâncias do credenciamento do banco, da cotação, da análise de risco, da governança e das decisões que antecederam os investimentos. A PF aponta indícios de que o processo decisório teria suprimido etapas essenciais de controle, com ausência de estudos comparativos independentes e possível direcionamento de recursos para ativos de risco elevado e baixa liquidez.

BANCO NÃO ESTAVA NA LISTA DE ELEGÍVEIS NO PRIMEIRO APORTE

Segundo a documentação que embasa a operação, o Banco Master não constava da lista oficial de instituições elegíveis do Ministério da Previdência Social na data do primeiro investimento de R$ 80 milhões. A inclusão na relação ocorreu apenas em 2024. A investigação também registra que as aplicações teriam ultrapassado os limites da Política Anual de Investimentos do próprio Iprev, que previa percentual zero ou reduzido para ativos bancários privados, enquanto a exposição chegou a cerca de 20% do patrimônio do fundo.

ALVOS E CONTEXTO MAIS AMPLO

Entre os alvos das buscas estão o ex-diretor-presidente do Iprev, Ronnie Reyner Teixeira Mota; o atual secretário municipal da Fazenda de Maceió, João Felipe Alves Borges (que integrava o Conselho de Administração à época); integrantes do comitê de investimentos; e representantes da consultoria Crédito & Mercado, apontada pela PF como possível intermediária técnica. A operação é um desdobramento da Operação Compliance Zero, que apura irregularidades envolvendo o Banco Master e fundos de previdência em diversos estados e municípios. O ministro André Mendonça é o relator das ações relacionadas ao caso no STF.

O Iprev de Maceió informou que colabora com as investigações e presta os esclarecimentos solicitados pelas autoridades.